{"id":3212,"date":"2018-07-04T02:00:24","date_gmt":"2018-07-04T01:00:24","guid":{"rendered":"https:\/\/www.glup.pt\/?p=3212"},"modified":"2018-07-04T02:00:24","modified_gmt":"2018-07-04T01:00:24","slug":"palimpsestos-maconicos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.glup.pt\/web\/?p=3212","title":{"rendered":"Palimpsestos Ma\u00e7\u00f3nicos"},"content":{"rendered":"<p>Os palimpsestos s\u00e3o suportes em papiro ou pergaminho reutilizados para a escrita depois de j\u00e1 terem sido utilizados para esse fim.<br \/>\nOu seja, em vez de se destruir um documento porque aquilo que ele revela j\u00e1 n\u00e3o interessa, apaga-se o original o melhor que se pode e volta-se a ter um suporte para nele inscrevermos as novas ideias: reciclagem <em>\u201cavant la lettre\u201d \u2026<\/em><br \/>\nMas apagar eficientemente escritos ou l\u00e1 o que seja em papiro ou pergaminho, \u00e9 uma tarefa complicada e raras vezes bem-sucedida. Chegava-se mesmo a utilizar pedra pomes para, com o seu poder esfoliante, conseguirem-se resultados satisfat\u00f3rios para que a nova inscri\u00e7\u00e3o fosse leg\u00edvel.<br \/>\nIsso foi conseguido algumas, mas raramente o que estava por baixo desapareceu completamente: deparamo-nos com uma esp\u00e9cie de \u2018<em>dois em um\u2019<\/em> onde, muitas vezes, o original \u00e9 mais surpreendente do que o novo.<br \/>\nAcontece isso com o denominado \u2018<em>Palimpsesto de Arquimedes\u2019,<\/em> pois sobre os escritos feitos por este cientista de Siracusa, encontram-se hoje ora\u00e7\u00f5es e salmos de um convento, completamente irrelevantes.<br \/>\nPortanto, podemos ler hoje, sob o que os frades escreveram, temas t\u00e3o importantes como: <em>\u2018O equil\u00edbrio dos planos\u2019, \u2018Espirais\u2019, \u2018A medida de um circulo\u2019 <\/em>e, entre outras, qui\u00e7\u00e1 a mais importante de todas, a obra sobre <em>\u2018\u2018O m<\/em><em>\u00e9<\/em><em>todo dos teoremas mec\u00e2nicos\u201d<\/em>, visto ser a \u00fanica c\u00f3pia conhecida de Arquimedes sobre o tema.<br \/>\nAcho que a GLUP \u00e9 um Palimpsesto Ma\u00e7\u00f3nico, porque sendo a nossa obedi\u00eancia uma obedi\u00eancia recente, ela \u2018inspira-se\u2019, se me \u00e9 permitido o termo, nos princ\u00edpios e landmarks que nos precederam, nos antigos textos e constitui\u00e7\u00f5es nos quais nos revimos e que est\u00e3o escritos, indelevelmente, sob a nossa Constitui\u00e7\u00e3o; e \u00e9 sempre conveniente n\u00e3o perder de vista o texto original para dele n\u00e3o nos afastarmos.<br \/>\nAssim sendo, considero o palimpsesto como a met\u00e1fora ideal para n\u00e3o descurarmos o que est\u00e1 por baixo daquilo que somos, funcionando como uma c\u00e1bula sempre \u00e0 m\u00e3o, mesmo debaixo do nosso nariz, literalmente, para n\u00e3o cometermos irregularidades que se afastam da Inicia\u00e7\u00e3o.<br \/>\nSabemos que sempre que v\u00e1rios Homens fazem parte de um determinado projecto, h\u00e1 diverg\u00eancias, \u00e9 inevit\u00e1vel e est\u00e1 na nossa natureza, na eterna procura pela homeostasia; se os intervenientes forem Ma\u00e7ons e se perceberem o significado do que \u00e9 ser Ma\u00e7on, essas diverg\u00eancias podem ser construtivas, ben\u00e9ficas ou, at\u00e9 mesmo, desej\u00e1veis.<br \/>\nMas se uma das partes tiver comportamentos profanos na resolu\u00e7\u00e3o de mat\u00e9rias sagradas, chegamos a situa\u00e7\u00f5es muito melindrosas, direi mesmo perigosas para o futuro da nossa e de qualquer futura obedi\u00eancia.<br \/>\nCompete-nos a todos n\u00f3s, e neste momento ao vosso VM em particular, fazer destes assuntos uma aprendizagem. Para alguns pode mesmo ser t\u00e3o dif\u00edcil trabalhar esta adversidade que preferem afastar-se, <em>adormecer <\/em>dizemos n\u00f3s, at\u00e9 que as coisas se endireitem; n\u00e3o defendo essa op\u00e7\u00e3o, pois em tudo na vida h\u00e1 uma li\u00e7\u00e3o a tirar e conv\u00e9m estarmos acordados, e bem, para disso nos apercebermos.<br \/>\nE a \u2018zona de conforto\u2019(?) que todos buscam(?), ou de onde n\u00e3o querem sair, pode\u00a0 tornar-se bafienta, let\u00e1rgica ou mesmo uma antec\u00e2mara da morte.<br \/>\nCompreendo que as expectativas possam estar defraudadas, mas n\u00e3o adianta desistir.<br \/>\nS\u00f3 utilizando o lodo para ir mais fundo nos alicerces da constru\u00e7\u00e3o do Templo \u00e9 que se chega a um terreno com mais garantias para aguentar os pisos a edificar, leia-se graus simb\u00f3licos.<br \/>\nSe reconhecermos que <strong><em>desceu sobre n<\/em><\/strong><strong><em>\u00f3<\/em><\/strong><strong><em>s a mais profunda e a mais mortal das secas dos s<\/em><\/strong><strong><em>\u00e9<\/em><\/strong><strong><em>culos &#8211; a do conhecimento \u00edntimo da vacuidade de todos os esfor\u00e7os e da vaidade de todos os prop<\/em><\/strong><strong><em>\u00f3<\/em><\/strong><strong><em>sitos<\/em><\/strong>, tudo \u00e9 mais compreens\u00edvel. Esta frase \u00e9 de Pessoa e tamb\u00e9m \u00e9 dele a que denuncia que <strong><em>n<\/em><\/strong><strong><em>\u00f3<\/em><\/strong><strong><em>s nunca nos realizamos. Somos dois abismos &#8211; um po\u00e7o fitando o c<\/em><\/strong><strong><em>\u00e9<\/em><\/strong><strong><em>u.<\/em><\/strong><br \/>\nTodas as pranchas, e esta n\u00e3o \u00e9 excep\u00e7\u00e3o, s\u00e3o escritas num palimpsesto; cada gesto, cada palavra, cada frase evolui num campo outrora preenchido por um antigo gesto, uma palavra arcaica que construiu uma frase sagrada.<br \/>\nAo ler o que aqui escrevi, revela-se-me um outro texto, qui\u00e7\u00e1 tamb\u00e9m ele escrito sobre outro ainda mais provecto e que, por des\u00edgnios que n\u00e3o alcan\u00e7o, guia a minha aten\u00e7\u00e3o para o seu conte\u00fado subliminar.<br \/>\n<strong><em>\u201cA ordem s\u00f3 pode surgir do caos. A Ma\u00e7onaria procura aceder a uma fase superior de civiliza\u00e7\u00e3o e de cultura; \u00e9 a ascens\u00e3o de uma nova ordem dos deuses depois do terr\u00edvel e fecundo caos; \u00e9 o aparecimento de uma nova constru\u00e7\u00e3o c\u00f3smica onde habita o tema eterno da queda do Homem precedendo a sua ressurrei\u00e7\u00e3o.<\/em><\/strong><br \/>\n<strong><em>Morte e transfigura\u00e7\u00e3o! O mito de Orfeu liga-se \u00e0 lenda da F\u00e9nix. E Hiram inscreve-se nesta linhagem iniciadora.<\/em><\/strong><br \/>\n<strong><em>A ascese ma\u00e7\u00f3nica tende para o aperfei\u00e7oamento moral e espiritual do indiv\u00edduo e este equil\u00edbrio condu-lo a procurara a harmonia Universal.<\/em><\/strong><br \/>\n<strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><strong><em>Na \u00e9poca da era do Aqu\u00e1rio (\u2026\/\u2026), compete a cada um saber o que \u00e9, o que deve realizar, pois a ordem ma\u00e7\u00f3nica n\u00e3o aceita qualquer compromisso; est\u00e1 para al\u00e9m do Tempo, para al\u00e9m das paix\u00f5es.\u201d <\/em><\/strong><br \/>\nDescubro, gra\u00e7as ao palimpsesto conter partes que consigo identificar, que o seu autor foi Jean-Pierre Bayard, e que o revelou em 1986.<br \/>\nEste nosso Irm\u00e3o foi iniciado na Grande Loja de Fran\u00e7a em 1954, ano em que eu nasci, e tamb\u00e9m descobri que ambos somos aquarianos. A sua sabedoria era enorme (a\u00ed divergimos\u2026), pois foi recebido grau 33 do REAA e portanto sinto um privil\u00e9gio enorme de lavrar o meu texto sobre o dele\u2026<br \/>\nMas h\u00e1 mais! Jacob B\u00f6hme, um sapateiro alem\u00e3o nascido em 1575, tamb\u00e9m aparece sob a letra do Jean-Pierre e \u00e9 dele a seguinte frase:<br \/>\n<strong><em>\u201cNo Nada, fora da natureza, Deus \u00e9 um mist\u00e9rio, porque fora da natureza \u00e9 o Nada; ou seja, um olho da eternidade, um olho insond\u00e1vel que nada \u00e9, nem nada v\u00ea, porque n\u00e3o tem fundo, e este mesmo olho \u00e9 uma vontade, entendam: representa uma nostalgia da revela\u00e7\u00e3o, uma nostalgia de encontrar o Nada.\u201d<\/em><\/strong><br \/>\n<em>\u00a0<\/em>Este olho figura no delta luminoso por cima de n\u00f3s e d\u00e1-nos esse poder de liberdade, a liberdade primordial do insond\u00e1vel, do sem nome e sem forma tocando directamente no mist\u00e9rio do Ser!<br \/>\nRemato com o desejo de que se o simbolismo for compreendido como uma linguagem universal, a Luz trespassar\u00e1 as trevas e o Grande Conhecimento a que os budistas chamam Despertar, os hindu\u00edsmos Liberta\u00e7\u00e3o e os Ma\u00e7ons Oriente Eterno, ser-nos-\u00e1 mais cedo ou mais tarde desvendado.<br \/>\nN\u00e3o desistamos, MMQQII, h\u00e1 sempre uma Palingenesia (*)!<br \/>\nA \u00faltima frase do meu palimpsesto \u00e9 de Fernando Pessoa:<br \/>\n<strong>Vivemos todos, neste mundo, a bordo de um navio sa\u00eddo de um porto que desconhecemos para um porto que ignoramos; devemos ter, uns para os outros, uma amabilidade de viagem.<\/strong><br \/>\nTemplo P\u00e1tria, 9 de maio de 6018, LVB, VM da RL Phi n\u00ba9<br \/>\n*<strong>Palingenesia.<\/strong> Etimologicamente, renascimento, regenera\u00e7\u00e3o. O termo foi empregado em contextos diferentes. Por exemplo, no estoicismo de Marco Aur\u00e9lio, designa a eternidade c\u00edclica no decorrer da qual reaparecem periodicamente os mesmos eventos. Na \u00e9poca moderna, o termo significa seja a regenera\u00e7\u00e3o c\u00edclica dos seres vivos, segundo certos autores, seja o ritmo c\u00edclico que caracterizaria o devir hist\u00f3rico das civiliza\u00e7\u00f5es.<br \/>\nA palavra <em>palin<\/em> significa &#8220;novamente&#8221;, &#8220;outra vez&#8221;, &#8220;de volta&#8221;. <em>Palingenesia<\/em> \u00e9 o suposto regresso \u00e0 vida, depois da morte real ou aparente. (a palingenesia \u2013 n\u00e3o \u00e9 apenas reencarna\u00e7\u00e3o \u2013, pois n\u00e3o se aplica somente \u00e0 vida org\u00e2nica).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os palimpsestos s\u00e3o suportes em papiro ou pergaminho reutilizados para a escrita depois de j\u00e1 terem sido utilizados para esse fim. 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