{"id":3206,"date":"2018-07-04T04:00:11","date_gmt":"2018-07-04T03:00:11","guid":{"rendered":"https:\/\/www.glup.pt\/?p=3206"},"modified":"2018-07-04T04:00:11","modified_gmt":"2018-07-04T03:00:11","slug":"heranca-espiritual","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.glup.pt\/web\/?p=3206","title":{"rendered":"Heran\u00e7a Espiritual"},"content":{"rendered":"<p>Temo afastar-me dos conte\u00fados ma\u00e7\u00f3nicos ao revelar-lhes esta Prancha, pois ultimamente o profano em mim grita t\u00e3o alto que me faz esquecer quem sou; durante uma crise, \u00e9 este o dano colateral mais temido, pois h\u00e1 uma linha muito t\u00e9nue entre o que somos e o que julgamos ser, como temos constatado ultimamente.<br \/>\nVi-me exposto, sem prote\u00e7\u00e3o, a uma tempestade de granizo; e estreme\u00e7o ao imaginar as consequ\u00eancias que ter\u00e1 nos campos que me rodeiam, em vias de florir\u2026<br \/>\nN\u00e3o me protegi por n\u00e3o ter trancas na minha porta do Ser. Enquanto Ma\u00e7on e da maneira como compreendo a Ma\u00e7onaria, n\u00e3o pode haver barreiras f\u00edsicas para nos protegermos de algo, que \u00e0 partida, n\u00e3o seria necess\u00e1rio proteger.<br \/>\nSe o fizesse seria a\u00ed que me trairia, que me \u2018<em>profanizava\u2019 <\/em>em territ\u00f3rio sagrado. Por voca\u00e7\u00e3o, por juramento de fraternidade, \u00e9-me imposs\u00edvel imaginar intemp\u00e9ries desta natureza. E se elas acontecem, e sabemos que assim \u00e9, s\u00f3 me resta a serenidade para resolver o problema, n\u00e3o contrariando des\u00edgnios que possivelmente n\u00e3o alcan\u00e7o, e sabendo que n\u00e3o podemos precaver-nos perante o inesperado, pois isso contrariaria a forma de vivermos em liberdade: o calculismo faz parte do livre arb\u00edtrio, mas n\u00e3o o condiciona; \u00e9 um pouco como o Amor: se fosse pela raz\u00e3o que escolh\u00eassemos quem amar, morrer\u00edamos sem conhecer a tal \u2018<em>chama que arde sem se ver\u2019<\/em>\u2026<br \/>\nNunca estaremos verdadeiramente a salvo desses momentos, pois nada \u00e9 imut\u00e1vel.<br \/>\nAs formas de lidar com problemas no seio da nossa organiza\u00e7\u00e3o est\u00e3o testadas e foram lavradas ao abrigo dos usos e costumes que nos regem.\u00a0\u00a0\u00a0 As constitui\u00e7\u00f5es que nos guiam enquanto membros de uma obedi\u00eancia ma\u00e7\u00f3nica, est\u00e3o impl\u00edcitas nos nossos juramentos ritual\u00edsticos e escritas, n\u00e3o agora, mas h\u00e1 v\u00e1rios s\u00e9culos.<br \/>\nUtilizar t\u00e1cticas profanas em terreno sagrado deu no que deu.<br \/>\nEstas tempestades sem aviso s\u00e3o as que mais custam ultrapassar; confesso que h\u00e1 dois anos e enquanto obreiro da GLUP, tive uma epifania;\u00a0 cheguei a sentir-me assim como a Julie Andrews portuguesa, em vers\u00e3o masculina e com avental de Mestre, extrapolando para um del\u00edrio ma\u00e7\u00f3nico a can\u00e7\u00e3o por ela cantada no filme \u2018M\u00fasica no cora\u00e7\u00e3o\u2019 quando, numa harmonia perfeita com a imagem, exalta que \u2018<em>as montanhas est\u00e3o vivas com o som da m\u00fasica\u2019<\/em>; era a ma\u00e7onaria da nossa obedi\u00eancia que nos fazia sentir vivos.<br \/>\n<em>\u201cShit happens!\u201d, como dizem os americanos no seu pragmatismo popular<\/em>; e como estamos entre homens, nem mesmo algo t\u00e3o sublime como a Inicia\u00e7\u00e3o nos refreou de desmentir o prov\u00e9rbio popular que nos considera, por sermos irm\u00e3os, piores que inimigos\u2026<br \/>\nTemo, sobretudo, que com a saraiva cega e destruidora, muitos rebentos nascidos no nosso jardim, muitas promessas de <strong><em>beleza<\/em>, <\/strong>sejam decepados pela cegueira da <strong><em>for\u00e7a<\/em> <\/strong>da intemp\u00e9rie, inviabilizando a exalta\u00e7\u00e3o \u00e0 verdadeira <strong><em>sabedoria<\/em><\/strong> que uma flor transmite.<br \/>\nA idade, e talvez por isso tamb\u00e9m a bexiga, encurralada pela hipertrofiada pr\u00f3stata, n\u00e3o me deixa dormir muitas horas seguidas; desperto para aliviar as necessidades fisiol\u00f3gicas e, uma vez regressado \u00e0 cama, permane\u00e7o em vig\u00edlia, desfiando angustias; s\u00f3 o espreitar da aurora, anunciada com os cantos dispersos das aves canoras, me apazigua.<br \/>\nMas at\u00e9 l\u00e1 sou assolado por um assombro desencantado, filho da ins\u00f3nia e onde, ao longe, ainda sinto o rugir de trov\u00f5es, sinal persistente da tempestade cavalgando as serranias do optimismo onde a m\u00fasica se extinguiu.<br \/>\nDurante esse per\u00edodo e quando a leitura em excesso j\u00e1 se reflete no ardor que sinto nos olhos, evoco exerc\u00edcios mentais aprendidos em leituras de auto-ajuda e outros, normalmente mais eficazes, em instru\u00e7\u00e3o de Ioga.<br \/>\nVolto a aten\u00e7\u00e3o para o corpo, para a respira\u00e7\u00e3o. Medito para entrar dentro de mim. Fa\u00e7o-o pelo local que se me oferece mais convidativo, mais luminoso, ou seja, o 7\u00ba chakra, o da fronte, entre as sobrancelhas, destino final das minhas deambula\u00e7\u00f5es por outros pontos; a\u00ed chegado, concentro a consci\u00eancia no Agora e fa\u00e7o por sentir o pulsar da vida, o leve arquejar do peito acompanhando o ritmo suave da inspira\u00e7\u00e3o e da expira\u00e7\u00e3o.<br \/>\nE ent\u00e3o, numa esp\u00e9cie de filme interior revelado no Chidakasha budista, o nome atribu\u00eddo ao \u00e9cran negro onde se projectam os sonhos, algumas imagens familiares come\u00e7am a revelar-se.<br \/>\nA primeira coisa que identifico, talvez por ser respons\u00e1vel pela sua concep\u00e7\u00e3o, \u00e9 a ab\u00f3bada celeste do Templo P\u00e1tria, sede da GLUP.<br \/>\nMas n\u00e3o \u00e9 o tecto propriamente dito aquilo que vejo, mas sim a representa\u00e7\u00e3o estelar que representa; a minha vis\u00e3o, neste estado hipnag\u00f3gico em que me encontro, tem profundidade de campo. Todas as estrelas e esquemas geom\u00e9tricos l\u00e1 representados tomam uma perspectiva realista, tridimensional e familiar para um observador no nosso planeta.<br \/>\nComo tenho sempre presente que \u2018<em>o que est\u00e1 em cima \u00e9 como o que est\u00e1 em baixo\u2019<\/em>, volto os olhos, sem os abrir, na direc\u00e7\u00e3o virtual aprendida nas cartas astron\u00f3micas vindas da trigonometria esf\u00e9rica.<br \/>\nSou guiado na procura do reflexo na Terra deste universo espiritual, o seu correspondente c\u00e1 em baixo. Encontro-o suspenso sobre os ladrilhos bicolores onde sobressai o altar dos juramentos; aliviado, confirmo que tudo \u00e9 Universo, tudo \u00e9 Templo.<br \/>\nHolograficamente, tr\u00eas filas de imagens desfilam paralelamente entre si, na vertical, \u00e0 minha frente, fazendo-me lembrar as <em>\u2018slot-machines\u2019<\/em>; quando o movimento abranda, intuo que neste \u2018<em>jogo da vida\u2019<\/em> o GADU, na sua infinita sabedoria, recorre a eufemismos profanos para me fazer ver o essencial.<br \/>\nVejo ent\u00e3o tr\u00eas imagens distintas, lado a lado; nos casinos isto significa que tenho que voltar a alimentar a m\u00e1quina com uma nova moeda, pois sem emparelhamento n\u00e3o h\u00e1 pr\u00e9mio e quem joga quer ganhar\u2026<br \/>\n\u00c0 falta de trocos respondo franzindo o sobrolho duma forma violenta, num misto de perplexidade e concentra\u00e7\u00e3o pelo inesperado da vis\u00e3o que agora vos revelo.<br \/>\nDistingo ent\u00e3o, naquela que \u00e9 a representa\u00e7\u00e3o que se encontra \u00e0 minha esquerda, <strong>a carta n\u00ba 9 do <em>Tarot<\/em><\/strong> e que representa o Eremita.<br \/>\nConsiderando haver uma raz\u00e3o de ser para ter \u2018recebido\u2019 esta informa\u00e7\u00e3o, relembro aquilo que sei sobre algumas mat\u00e9rias que me podem levar a descodificar esta imagem:<br \/>\nEm todas as antigas escolas de mist\u00e9rios que remontam a Zarathustra e ao s\u00e9c. VII a.C., o nove representa o conceito gn\u00f3stico da m\u00e1xima perfei\u00e7\u00e3o: <em>(sem coment\u00e1rios\u2026)<\/em><br \/>\nO desenho deste n\u00famero tem uma forma embrion\u00e1ria e remete-nos ao per\u00edodo de gesta\u00e7\u00e3o do ovo dentro do \u00fatero feminino, uma Sant\u00edssima Trindade elevada \u00e0 pot\u00eancia de tr\u00eas\u2026<br \/>\nO conhecimento codificado nestas cartas de <em>tarot<\/em> criadas, segundo se pensa, por Hermes Trismegisto, \u00e9 baseado na cabala, uma sabedoria universal milenar que nos ensina os princ\u00edpios espirituais que regem a vida.<br \/>\nA palavra \u201cCabala\u201d vem do aramaico e significa receber.<br \/>\nEnsina-nos sobretudo a receber energia na vida, atrav\u00e9s do viver em harmonia com as leis e princ\u00edpios do Universo; e defende que todos temos um potencial intr\u00ednseco que nos permite sonhar com a plenitude das nossas realiza\u00e7\u00f5es; se compreendermos que a vida \u00e9 regida por uma lei de causa e efeito, de a\u00e7\u00e3o e rea\u00e7\u00e3o, percebemos que iremos colher amanh\u00e3 os frutos das sementes que hoje plantamos.<br \/>\nEsta ideologia baseada no livre arb\u00edtrio, est\u00e1 consignada na maioria das sociedades pag\u00e3s e esot\u00e9ricas vindas de tempos remotos \u00e0 Idade M\u00e9dia, aparecendo inclusive, j\u00e1 no s\u00e9c. XVIII, ligada ao grau 33 da Ma\u00e7onaria especulativa!<br \/>\nVejamos agora a pr\u00f3xima imagem: o rosto de <strong>Fernando Pessoa <\/strong>emoldurado por uma <em>Vesica Piscis<\/em>.<br \/>\nA Vesica \u00e9 o resultado da intercep\u00e7\u00e3o de dois c\u00edrculos id\u00eanticos, talvez a c\u00e9lula masculina e a feminina que nos conceberam; \u00e9 assim nomeada por a sua forma lembrar, entre outras, a da bexiga dos peixes; pelo mesmo motivo, chamam-lhe os italianos de Mandorla, am\u00eandoa; eu vejo nela simbolismo vaginal, um portal entre dois mundos: o uterino, sagrado, e o profano, para onde se nasce.<br \/>\nSabemos que a Vesica corresponde, na simb\u00f3lica pitag\u00f3rica dos antigos mestres-construtores, ao \u201cespa\u00e7o de manifesta\u00e7\u00e3o\u201d ou incarna\u00e7\u00e3o do divino no mundo dos homens, como bem constatou Lima de Freitas.<br \/>\nOlhando melhor para o rosto de Fernando Pessoa que flutua \u00e0 minha frente, noto que o fundo onde se revela \u00e9 feito de palavras, um pouco \u00e0 semelhan\u00e7a do bem conhecido auto retrato do Almada Negreiros, ou mesmo dum palimpsesto. Consigo ler:<br \/>\n<em>\u201cPara todos os que queiram mais da vida do que o que ela \u00e9 em si mesma, a regra \u00e9 aquela que, em um dos seus modos, os tr\u00eas graus ma\u00e7\u00f3nicos simbolizam. Entramos Aprendizes pelo sofrimento, passamos Companheiros pelo prop\u00f3sito, somos levantados Mestres pelo sacrif\u00edcio. De outro modo se n\u00e3o chega, na arte como na vida, \u00e0 Cadeira que \u00e9 o Trono, de Salom\u00e3o.\u201d <\/em><br \/>\n<em>\u00a0<\/em>Finalmente, a \u00faltima das representa\u00e7\u00f5es, \u00e0 minha direita:<br \/>\nReconhe\u00e7o o <strong>selo real<\/strong> de D. Afonso Henriques como o encontramos no foral de Ceras, quando investiu Gualdim Pais do poder para erigir a igreja matriz dos templ\u00e1rios e reconstruir a cidade de Thamara, hoje Tomar.<br \/>\nEm rodap\u00e9, leio uma frase de Nietzsche:<br \/>\n<em>\u201cO valor de um povo ou de um homem n\u00e3o se mede sen\u00e3o pelo poder que tem de apor sobre a sua experi\u00eancia o selo do eterno, porque deste modo emancipa-se, por assim dizer, do mundo e mostra a sua f\u00e9 inconsciente mas \u00edntima na relatividade do tempo e na significa\u00e7\u00e3o verdadeira, isto \u00e9, metaf\u00edsica da vida.<\/em><br \/>\n<em>\u00a0<\/em>Pergunto-me de Tomar \u00e9 o mais relevante nesta apari\u00e7\u00e3o, pois nunca compreendi as verdadeiras raz\u00f5es para ter sido este o local eleito para \u2018sede\u2019 do templarismo em Portugal; mas o que \u00e9 certo \u00e9 que este lugar, muito muito antes, j\u00e1 tinha atra\u00eddo outros povos.<br \/>\nE depois, mesmo antes da edifica\u00e7\u00e3o do que hoje \u00e9 conhecido por Convento de Cristo, foi levada a cabo a constru\u00e7\u00e3o da Igreja de Santa Maria do Olival. Sei que este local foi identificado teluricamente como zona energ\u00e9tica de grande import\u00e2ncia como atesta o menir que se encontra perto da nascente do Agroal, uma pedra de <em>\u2018acupunctura paleol\u00edtica\u2019<\/em> onde consta que os templ\u00e1rios gravaram a sua cruz.<br \/>\nMas voltemos ao selo, que sei ser muito especial. A localiza\u00e7\u00e3o das letras de Portugal permite que tamb\u00e9m se possa ler <strong><em>Por &#8211; Tu &#8211; Gral<\/em><\/strong>.<br \/>\nO <em><u>\u00f3<\/u><\/em> est\u00e1 na interse\u00e7\u00e3o da cruz feita com os meridianos do circulo, no centro da circunfer\u00eancia e, nesta representa\u00e7\u00e3o tridimensional que me \u00e9 dada a ver, tem uma cor azulada que se destaca das estrelas que comp\u00f5em o Universo preto e prata do Templo.<br \/>\nE \u00e9 de forma inesperada que noto, quando estou a olhar precisamente para este centro, que este pontinho azul n\u00e3o \u00e9 um circulo como o da letra <em><u>\u00f3<\/u><\/em> mas sim uma esfera, e que est\u00e1 a deslocar-se, saindo da sua posi\u00e7\u00e3o relativa.<br \/>\nEsta cena \u00e9 um d\u00e9j\u00e0 vu\u2026concentro-me um pouco e a\u00ed est\u00e1! Aquele ponto azul \u00e9 a Terra como foi fotografada pela nave Voyager 1 quando se encontrava nas imedia\u00e7\u00f5es de Saturno, no dia de S. Valentim de 1990. A pedido de Carl Sagan, a NASA autorizou que a c\u00e2mara de bordo fosse virada na dire\u00e7\u00e3o da Terra e o resultado ainda hoje nos toca: somos um pequeno pixel de azul p\u00e1lido na imensid\u00e3o do Universo!<br \/>\nPerdemos tempo com o sup\u00e9rfluo quando s\u00f3 nos devia interessar o essencial, \u00e9 isso que me vem ao espirito. Como disse Carl Sagan:<br \/>\n\u2018<em>N\u00e3o h\u00e1 melhor demonstra\u00e7\u00e3o da tola presun\u00e7\u00e3o humana do que esta imagem distante do nosso pequeno mundo.<\/em><br \/>\n<em>\u00a0<\/em><em>Nela destaca-se a nossa responsabilidade de sermos mais am\u00e1veis uns com os outros com vista a preservar e proteger o \u2018p\u00e1lido ponto azul\u2019, o \u00fanico lar que conhecemos at\u00e9 hoje\u2019<\/em>.<br \/>\nDepois disto adormeci profundamente e quando acordei tinha sonhado que era noite de Santo Ant\u00f3nio; estava no Templo, em sess\u00e3o de Loja convosco; desta vez voltei a adormecer\u2026 em paz.<br \/>\n<strong>LVB, MM e VM da RL Phi n\u00ba 9, no Templo P\u00e1tria, a Oriente de Lisboa, 13\/06\/2018<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Temo afastar-me dos conte\u00fados ma\u00e7\u00f3nicos ao revelar-lhes esta Prancha, pois ultimamente o profano em mim grita t\u00e3o alto que me faz esquecer quem sou; durante uma crise, \u00e9 este o dano colateral mais temido, pois h\u00e1 uma linha muito t\u00e9nue entre o que somos e o que julgamos ser, como temos constatado ultimamente. 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