{"id":2028,"date":"2017-05-22T22:31:26","date_gmt":"2017-05-22T22:31:26","guid":{"rendered":"https:\/\/www.glup.pt\/?p=2028"},"modified":"2017-05-22T22:31:26","modified_gmt":"2017-05-22T22:31:26","slug":"bussaco-palacio-e-sacromonte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.glup.pt\/web\/?p=2028","title":{"rendered":"Bussaco: Pal\u00e1cio e Sacromonte"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Na sequ\u00eancia das antecedentes desloca\u00e7\u00f5es (visitas l\u00fadico\/recreativas de conv\u00edvio e estudo) j\u00e1 efectuadas a diversos locais, prop\u00f5e-se agora a abordagem \u00e1 regi\u00e3o do Bu\u00e7aco, deveras interessante, n\u00e3o apenas pela sua riqueza em termos de patrim\u00f3nio hist\u00f3rico, art\u00edstico, mas igualmente pelo universo sem\u00e2ntico em termos de significa\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica esot\u00e9rica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">-\u00c9 uma proposta que surge no contexto dos eventos programados pelo R:.G:.M:. da GLUP, nomeadamente, o levantamento de colunas de uma R:.L:. \u00e0 qual todos temos o dever de participar, bem como um acto formativo previsto para dias 07, de Maio, cuja programa\u00e7\u00e3o foi atempadamente divulgado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">-O Pa\u00e7o Real do Bu\u00e7aco ou Palace Hotel (como se queira designar) constitui um vasto conjunto patrimonial (arquitect\u00f3nico, bot\u00e2nico e paisag\u00edstico), \u00fanico no pa\u00eds, provocando impacto fortemente impressivo no eventual visitante. O edif\u00edcio, concebido nos finais do s\u00e9culo XIX pelo arquitecto e cen\u00f3grafo italiano Luigi Manini (igualmente autor do projecto da Quinta da Regaleira), contou com a colabora\u00e7\u00e3o de diversos not\u00e1veis artistas portugueses, em diversas \u00e1reas e fases da constru\u00e7\u00e3o (Norte J\u00fanior, Jos\u00e9 Alexandre Soares, Jorge Cola\u00e7o, Ant\u00f3nio Ramalho, Nicola Bigaglia, Jo\u00e3o Vaz, Ant\u00f3nio Gon\u00e7alves, entre diversos outros, de que daremos nota final. \u00daltimo cen\u00e1rio oficial da monarquia em 27 de Setembro de 1910. O edificado foi projectado desde 1888 finalizando a sua constru\u00e7\u00e3o em 1907, data em que foi concedida a sua explora\u00e7\u00e3o por um espa\u00e7o de 19 anos a Paul Bergamin, actualmente perten\u00e7a do grupo Alexandre Almeida<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">-O edificado dentro de um esp\u00edrito revivalista, apresenta um estilo neog\u00f3tico-manuelino, alguns designam como um exemplo do \u201cromantismo-castelar\u201d. Para al\u00e9m dos belos jardins, das extraordin\u00e1rias fachadas, dos magn\u00edficos p\u00f3rticos, janel\u00f5es e escadarias, cont\u00e9m uma rica decora\u00e7\u00e3o no seu interior, como sejam os bel\u00edssimos pain\u00e9is de azulejos, frescos e quadros alusivos \u00e1 gloriosa \u00e9poca dos Descobrimentos portugueses, bem como elementos estruturais evocativos de importantes monumentos dessa \u00e9poca, como a Torre de Bel\u00e9m, o claustro dos Jer\u00f3nimos ou o Convento de Cristo, reportando um estilo g\u00f3tico de mistura com epis\u00f3dios rom\u00e2nticos, em contraste com a severa austeridade monacal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os Azulejos de caris historicista e nacionalista da autoria de Jorge Cola\u00e7o (dez pain\u00e9is de inspira\u00e7\u00e3o camoniana) nos portais nas galerias das alas norte, nascente e no extremo sul. Not\u00e1veis igualmente no Hall de entrada e no v\u00e3o da escadaria, com predomin\u00e2ncia de azuis e brancos, com cercaduras de belo efeito crom\u00e1tico, mostrando cenas da guerra Peninsular, da Batalha do Bu\u00e7aco. Outros temas como as cenas da partida para a \u00cdndia, a Tomada de Ceuta, Tomada de Goa, contam-se igualmente entre o importante acervo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O mobili\u00e1rio apresenta um conjunto not\u00e1vel de pe\u00e7as portuguesas, chinesas e indo-portuguesas, incluindo preciosas tape\u00e7arias, sendo igualmente de destacar a Galeria Real, o tecto mourisco, o precioso soalho de madeiras ex\u00f3ticas os corredores ricamente decorados com mobili\u00e1rio, pinturas e<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todos os quartos, apesar do toque actual moderno, permitem respirar um ambiente cl\u00e1ssico, incluindo moveis do sec. XVIII at\u00e9 Art Nouveau. O actual hotel possui 64 quartos sendo de destacar a suite da Rainha D.\u00aa Am\u00e1lia e a suite real do Rei D. Carlos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">-\u00daltimo pal\u00e1cio (de ca\u00e7a) dos Reis de Portugal, transformado posteriormente em hotel, considerado um dos mais belos do mundo, contem no seu interior um enorme acervo art\u00edstico e concretiza um dos sonhos mais fantasiosos de um rei vision\u00e1rio (D. Fernando II de Saxe-Coburgo \u2013 Ghotta) ele pr\u00f3prio artista em\u00e9rito, inspirado nas tradi\u00e7\u00f5es rom\u00e2nticas dos seus primos alem\u00e3es, mandando edificar \u201co mais genu\u00edno pal\u00e1cio real de conto de fadas num bosque encantado\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Relativamente ao patrim\u00f3nio religioso, s\u00e3o not\u00e1veis os Frontais de Altar, produzidos no sgundo e terceiro quart\u00e9is do seculo XVII, aplicados na igreja, constru\u00e7\u00f5es adjacentes, capelinhas da mata e provenientes de Talavera de la Reina integrando o conjunto dos mais not\u00e1veis pain\u00e9is de altar existentes em Portugal. Apesar das vicissitudes deste patrim\u00f3nio ao longo dos tempos, especialmente com a Batalha do Bu\u00e7aco e extin\u00e7\u00e3o das ordens religiosas, chegou at\u00e9 aos nossos dias mais de uma dezena de frontais, para al\u00e9m de subsistirem restos nas cercanias do Bu\u00e7aco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda na segunda metade do seculo XIX o pa\u00eds ainda n\u00e3o se tinha recomposto dos traumas diversos que afligiram o pa\u00eds: A sa\u00edda da Fam\u00edlia Real para o Brasil, as Invas\u00f5es Napole\u00f3nicas, a independ\u00eancia do Brasil, as lutas entre Liberais e absolutistas, grassando um esp\u00edrito nost\u00e1lgico e decadentista. Com o Fontismo o pa\u00eds tenta ressuscitar modernizando-se e industrializando-se, apostando nas obras p\u00fablicas, ao mesmo tempo que tenta desenvolver o com\u00e9rcio e a agricultura. Apesar do balde de \u00e1gua fria, da amea\u00e7a de uma banca rota posterior, entretanto o pa\u00eds consegue um certo progresso. Por seu lado Silva Porto ao assumir a cadeira de paisagem da Academia Nacional de Belas Artes ir\u00e1 provocar uma aut\u00eantica revolu\u00e7\u00e3o cultural no pa\u00eds: o <strong>Naturalismo<\/strong> porventura influenciado pela Escola de Barbizon (Fran\u00e7a) com a qual Silva Porto teve contacto, mas mantendo um ecletismo pict\u00f3rico recebido mais tarde do sul de It\u00e1lia. O Naturalismo n\u00e3o somente um olhar id\u00edlico e fantasioso da vida campestre. \u00c9 muito mais um olhar realista (e uma den\u00fancia), para o ritmo lento e atrasado do processo de desenvolvimento em Portugal, mostrando que era nas aldeias de Portugal que residia a realidade mais indesment\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Muitos dos artistas que trabalharam no Pal\u00e1cio, podem ser referenciados como naturalistas, ou pelo menos estariam bem atentos a essa corrente. onde se inclu\u00eda o pr\u00f3prio rei D. Carlos de Bragan\u00e7a. Com Silva Porto e seus disc\u00edpulos, alguns not\u00e1veis amantes do \u201car-livrismo\u201d, recusavam a ditadura da clausura do atelier e eventualmente, encontravam-se igualmente na tabacaria M\u00f3naco ao Rossio, ou, e sobretudo no restaurante-cervejaria Le\u00e3o de Douro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A tabacaria M\u00f3naco (nome derivado da visita do pr\u00edncipe do M\u00f3naco), fundada por Jos\u00e9 C\u00e9sar Vieira da Cruz, constituiu um exemplar quase \u00fanico de tabacaria do final do s\u00e9c. XIX, sendo um dos raros estabelecimentos que mantem at\u00e9 \u00e0 actualidade a mesma atividade comercial, mantendo igualmente sem altera\u00e7\u00f5es o mobili\u00e1rio e a notabil\u00edssima decora\u00e7\u00e3o interior. De notar ao visitante, o hibridismo decorativo resultante de um ecletismo intimista do espa\u00e7o, integrando op\u00e7\u00f5es est\u00e9ticas de diversos artistas desde Rosendo Carvalheira (autor do projecto, mobili\u00e1rio e arquitectura de interiores), Pedro dos Reis (escultura), Rafael Bordalo Pinheiro (pintura de azulejo) Ant\u00f3nio Ramalho (pintura do tecto) e alguns outros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A tabacaria era frequentada por in\u00fameros intelectuais e artistas como E\u00e7a de Queir\u00f3s, Jo\u00e3o de Deus, Trindade Coelho, Marcelino Mesquita, Gomes Leal, Henrique Lopes de Mendon\u00e7a, Brito Camacho, Jo\u00e3o de Menezes, Fialho de Almeida<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em volta de Silva Porto, formou-se, como dissemos, na cervejaria Le\u00e3o de Ouro, um primeiro grupo designado \u201c<strong>O Grupo do Le\u00e3o\u201d,<\/strong> respons\u00e1vel pelo enorme sucesso da pintura naturalista. Realizaram oito exposi\u00e7\u00f5es com enorme aflu\u00eancia de p\u00fablico, entre os quais o pr\u00f3prio rei D. Fernando II que de resto adquiriu algumas obras. Esta corrente constitui de facto uma verdadeira ruptura com um panorama art\u00edstico at\u00e9 ent\u00e3o vigente, mostrando pequenas cenas do quotidiano, repletas de luz e com inteira liberdade de representa\u00e7\u00e3o, dando particular aten\u00e7\u00e3o \u00e0 vida do campo. O grupo representava-se como moderno, realista e vanguardista, integrando, algumas personagens importantes do nosso meio art\u00edstico como Columbano Bordalo Pinheiro (1857-1929); Jos\u00e9 Malhoa (1855-1933), Carlos Reis (1863- Ant\u00f3nio Ramalho, Ant\u00f3nio Augusto da Costa Mota<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Numa breve resenha biogr\u00e1fica, recordemos alguns dos principais intervenientes:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>-Emidio Navarro<\/strong> (1844-1905), Advogado, jornalista e pol\u00edtico, foi membro do partido progressista hist\u00f3rico e ministro das obras p\u00fablicas (1886.1889), advers\u00e1rio das politicas de Fontes Pereira de Melo.\u00a0 A sua ac\u00e7\u00e3o foi determinante, para o desenvolvimento do ensino da agricultura (fundando diversas escolas industriais e agr\u00edcolas), bem como para os transportes ferrovi\u00e1rios. Foi not\u00f3ria a influencia que exerceu, para a implementa\u00e7\u00e3o do Pal\u00e1cio Real de Ca\u00e7a no Bu\u00e7aco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>-D. Carlos I. <\/strong>Em Agosto de 1904, o rei fez uma visita ao Bu\u00e7aco que n\u00e3o visitava havia mais de 20 anos, permanecendo tr\u00eas dias. Regressou de novo no final do m\u00eas acompanhado da Rainha D\u00aaAm\u00e9lia, realizando-se nessa ocasi\u00e3o diversos festas, chegando o rei a demonstrar os seus dotes de bar\u00edtono. Possu\u00eda, not\u00e1veis aptid\u00f5es art\u00edsticas, nomeadamente, como aguarelista, assinando muitas vezes como \u201cCarlos Fernando\u201d, \u00e9 geralmente conectado com a segunda gera\u00e7\u00e3o de naturalistas portugueses, conhecendo mesmo pessoalmente alguns dos maios not\u00e1veis artistas esta corrente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Naturalismo, teve uma prolongada exist\u00eancia em Portugal, desde finais do seculo XIX e passando at\u00e9, a segunda metade do s\u00e9culo XX. Essa situa\u00e7\u00e3o deveu-se a v\u00e1rios factores nomeadamente a grande depend\u00eancia da Inglaterra, incapaz de reverter o quadro de atraso e de decad\u00eancia que enquadrou o pa\u00eds durante quase todo o seculo XIX. Os intelectuais portugueses esfor\u00e7aram-se sem grande sucesso para elevar a moral de uma na\u00e7\u00e3o que se sentia fr\u00e1gil e inferiorizada. Estas afirma\u00e7\u00f5es art\u00edsticas encontraram-se em oposi\u00e7\u00e3o e mesmo em ruptura com outros movimentos art\u00edsticos e de pensamento, como foram por exemplo, as manifesta\u00e7\u00f5es do modernismo dos finais do s\u00e9c. XIX e entrado em Portugal logo no in\u00edcio do s\u00e9culo XX (havendo de prolongar-se adentro do Estado novo).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>-Luigi Manini,<\/strong> (1848-1936) arquitecto, pintor e cen\u00f3grafo italiano, trabalhou no Scala de Mil\u00e3o e a partir de 1879, logo ap\u00f3s a sua chegada a Lisboa, no Teatro Nacional de S Carlos, D. Maria II(cen\u00e1rios). Em 1894 procede \u00e0 decora\u00e7\u00e3o da sala do teatro S\u00e3o Lu\u00eds e em 1895 interv\u00e9m no Museu Militar (decora\u00e7\u00e3o). Entre as obras mais emblem\u00e1ticas, conta-se o Pal\u00e1cio da Quinta da Regaleira, em Sintra e o Pal\u00e1cio Real do Bu\u00e7aco (a convite de Em\u00eddio Navarro, em 1888), bem como os cen\u00e1rios florestais envolventes. Recorde-se tamb\u00e9m, que muitos outros artistas (escultores, canteiros, entalhadores) trabalhar\u00e3o num e noutro local. Sintra constitu\u00eda o ambiente ideal para o desenvolvimento da obra de Manini, nomeadamente os elementos inspiradores do manuelinos do Pa\u00e7o Real e o revivalismo rom\u00e2ntico da Pena<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Antes de vir para Portugal, onde viveu at\u00e9 1913, j\u00e1 tinha deixado em It\u00e1lia, obra assinal\u00e1vel (restauro dos frescos da Igreja de S\u00e3o Bernardino, Igreja de Cremasco, decora\u00e7\u00e3o da Villa Stramezzi, entre outras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Corria o ano de 1878 quando, acidentalmente, um portal do Mosteiro dos Jer\u00f3nimos ruiu, significando simbolicamente a decad\u00eancia do neomanuelino. Estava-se numa \u00e9poca em que o sentimento nacionalista estava adormecido e o movimento rom\u00e2ntico dava sinais de decad\u00eancia. Em contraponto, o neomanuelino significava para alguns o renascimento da arquitectura portuguesa enquanto para outros tal estilo merecia o desprezo e a demoli\u00e7\u00e3o. Mas em 1880 tiveram lugar as comemora\u00e7\u00f5es camonianas e em1898, celebrou-se a viagem de Vasco da Gama. Estes acontecimentos tiveram grande impacto evidenciando a grandeza dos Descobrimentos Portugueses em que o estilo manuelino \u00e9 a principal representa\u00e7\u00e3o pl\u00e1stica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O seu ide\u00e1rio nacionalista, revelado j\u00e1 em obras anteriores, ganha express\u00e3o na adop\u00e7\u00e3o dos elementos do neomanuelino.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No pal\u00e1cio Foz, pinta o trecho da escadaria e em 1900, interv\u00e9m na decora\u00e7\u00e3o do pavilh\u00e3o portugu\u00eas na Exposi\u00e7\u00e3o Universal de Paris, onde pinta um tel\u00e3o com cenas aleg\u00f3ricas dos Descobrimentos evocando as viagens de Pedro Alvares Cabral, Corte Real e Fern\u00e3o Magalh\u00e3es. Para al\u00e9m das obras mencionadas fez interven\u00e7\u00f5es nas Vilas Sasseti, Rel\u00f3gio, Challet Mayer, Chalet Biester (casado jardineiro), fachada do antigo hotel Tivoli, participou no projecto do actual Pal\u00e1cio dos Condes de Castro Guimar\u00e3es, em Cascais, decora\u00e7\u00e3o do teatro Garcia de Resende, em \u00c9vora, teatro do Funchal. teatro S\u00e1 de Miranda, em Viana Castelo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>-Norte J\u00fanior,<\/strong> Manuel Joaquim, (1878-1962), arquiteto e ma\u00e7on. Concluiu o curso de arquitectura em Lisboa, estagiou em Paris, fez visitas de estudo em Espanha, Fran\u00e7a e B\u00e9lgica. Considerado por alguns analistas, como um dos melhores arquitectos do pa\u00eds (foi galardoado cinco vezes com o pr\u00e9mio Valmor), regista, uma not\u00e1vel participa\u00e7\u00e3o nas Avenidas Novas em Lisboa e em outras ruas de lisboa (Casa Malhoa, edif\u00edcios na Av. da Republica , Av. da Liberdade, Pra\u00e7a Duque de Saldanha, Av. Fontes Pereira de Melo, Av. Almirante Reis, Edif\u00edcio Abel Pereira da Fonseca, Caf\u00e9 Nicola, Cr\u00e9dito Predial Portugu\u00eas, Teatro Variedades, Cine Royal, Villa Sousa no Lumiar, Casino de Sintra ,Palacete Belma\u00e7o (Faro), Palace Hotel da Curia, palacete da Sociedade Amor da P\u00e1tria-Horta, etc. No Bu\u00e7aco assina o projecto da Casa dos Bras\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Espirito ecl\u00e9tico, inscreveu o seu nome na arquitectura contempor\u00e2nea de Lisboa, ombreando com a not\u00e1vel gera\u00e7\u00e3o de jovens arquitectos modernos (Ventura Terra, Ad\u00e3es Bermudes, Ernesto Korrodi, Cristino da Silva, Pardal Monteiro, Raul Lino, Cassiano Branco, e outros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tal ecletismo (que a arquitetura portuguesa revela no in\u00edcio do seculo XX), igualmente se encontra patente na interven\u00e7\u00e3o no Hospital de Santana (Parede), efectuada, conjuntamente com outros, entre os quais, Rosendo Carvalheira (Abadia-Pal\u00e1cio Foz). A localidade da Parede constitu\u00eda, de resto, ponto de converg\u00eancia de habita\u00e7\u00f5es de pessoas das suas rela\u00e7\u00f5es, como o arquitecto\u00a0 Nicolla Biglalia e at\u00e9 ilustres republicanos e ma\u00e7ons, como Francisco Grandella, Jo\u00e3o de Arriaga e Manuel de Azevedo Gomes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>-Nicola Biglalia, <\/strong>(1841-1908), prestigiado Arquitecto, aguarelista e modelador, italiano, radicado em Portugal desde 1888.Professor na escola industrial de Leiria, onde lecionou modela\u00e7\u00e3o ornamental.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Artista de concep\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica, premiado com o pr\u00e9mio Valmor, teve importante interven\u00e7\u00e3o em Portugal nos finais do seculo XIX e inicio do XX, como na casa da \u00cdnsua, actual hotel de Carme. S\u00e3o de mencionar outros trabalhos como, no Bu\u00e7aco (Casa dos Cedros), Viseu (projecto do Asilo da Viscondessa de S. Caetano), Silves (casa do Visconde de Lagoa), Leiria (Convento da Portela),Le\u00e7a da Palmeira ( Casa Museu da Quinta de Santiago),Setubal (Teatro D\u00aa Am\u00e9lia), Parede (Casa da Condessa de Edla e Casa da fam\u00edlia Azevedo Gomes), Lisboa (Pal\u00e1cio Lima Mayer, Pal\u00e1cio Lambertini, Pal\u00e1cio Vale Flor, Palacete Leit\u00e3o,).N o Bu\u00e7aco assina a mencionada Casa dos Cedros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>-Jos\u00e9 Alexandre Soares <\/strong>autor de alguma interven\u00e7\u00e3o no Pal\u00e1cio Hotel do Bu\u00e7aco, riscando alguns pormenores arquitet\u00f3nicos. Foi professor da Escola Superior de Belas Artes de Lisboa e interveio nalguns espa\u00e7os de Lisboa nomeadamente no quiosque do Parque Silva Porto em Benfica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>-Carlos Ant\u00f3nio Reis <\/strong>(1863- 1940) Pintor not\u00e1vel sobretudo dos meios aristocr\u00e1ticos e da realeza, mas igualmente representando cenas da vida quotidiana do povo portugu\u00eas nomeadamente nos seus aspectos t\u00edpicos, bodas e festas. Foi bolseiro em Paris, frequentando a respectiva escola e os ateliers dos mestres mais considerados. Professor da Escola de Belas Artes de Lisboa e colaborador em diversas revistas. Foi fundador do Grupo \u201cAr livre. Foi Director do Museu Nacional de Belas Artes e mais tarde do Museu Nacional de Arte Contempor\u00e2nea. Foi um pintor considerado o m\u00e1gico do branco para comunicar as transpar\u00eancias da luz em obras de alto \u00edndice de cor e luminosidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Das suas in\u00fameras obras destacamos os pain\u00e9is da sala de baile do pal\u00e1cio do Bussaco, a Sala do Senado e um retrato de D. Carlos depositado no Pal\u00e1cio de Vila Vi\u00e7osa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>-Ant\u00f3nio Ramalho<\/strong> (1859-1910), Pintor, disc\u00edpulo de Tom\u00e1s da Anuncia\u00e7\u00e3o e Silva Porto. Em 1882, faz parte dos artistas naturalistas do Grupo do Le\u00e3o e que adoptaram o trabalho ao ar livre. Desenvolve uma gram\u00e1tica formal de sabor revivalista embora n\u00e3o tenha ficado imune aos trabalhos da Art Nouveau. Colaborou no Jornal humor\u00edstico \u201cAnt\u00f3nio Maria\u201d e trabalhou com Jo\u00e3o Vaz na obra do Bu\u00e7aco, nomeadamente na decora\u00e7\u00e3o da escadaria, nos frescos da sala de jantar e na ab\u00f3bada. Interveio tamb\u00e9m no teatro Garcia de Resende em \u00c9vora e no Pal\u00e1cio Sotto Mayor em Figueira da Foz,. Foi ainda autor dos vitrais do Hospital de Santana na Parede e no Pal\u00e1cio da Bolsa no Porto. Era presen\u00e7a costumeira na tabacaria M\u00f3naco, tendo interven\u00e7\u00e3o na obra do tecto do estabelecimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>-Jo\u00e3o Vaz <\/strong>(1859-1931), pintor paisagista, especialmente focado em temas de marinha, pelos quais \u00e9 costumeiramente designado como \u201cmarinhista\u201d. Foi igualmente influenciado pelo impacto da fotografia, reivindicando tamb\u00e9m a liberta\u00e7\u00e3o do atelier. Assim, integrou a funda\u00e7\u00e3o do Grupo do Le\u00e3o, proclamando uma nova est\u00e9tica para a pintura no final do sec XIX, afirmando a imperatividade da Luz, como dimens\u00e3o da sua pr\u00f3pria pintura. Colaborou com <strong>Ant\u00f3nio Ramalho em diversas obras especialmente na obra do Bu\u00e7aco<\/strong> onde pintou os frescos da sala de jantar ilustrando passagens dos Lus\u00edadas. Fez interven\u00e7\u00f5es em diversas salas do Pal\u00e1cio de Bel\u00e9m, Sala da Restaura\u00e7\u00e3o do Museu Militar de Lisboa, entre diversas outras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Realizou obra assinal\u00e1vel nos Passos Perdidos da Assembleia da Republica, Teatros Rainha D\u00aa Am\u00e9lia e Garcia de Resende<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>-Ant\u00f3nio Augusto da Cosa Mota<\/strong> (1852-1930) nasce em Coimbra onde na Associa\u00e7\u00e3o dos Artistas come\u00e7a a mostrar as suas aptid\u00f5es, passando depois para a Escola Livre das Artes do Desenho onde ter\u00e1 como professor o Mestre Ant\u00f3nio Augusto Gon\u00e7alves. Mais tarde, em Lisboa, ter\u00e1 como professores, Silva Porto, Tom\u00e1s da Fonseca, Sim\u00f5es de Almeida, Sousa Viterbo. Como escultor integra-se na transi\u00e7\u00e3o do romantismo para o naturalismo e mas tarde para o modernismo, sendo por isso dif\u00edcil encontrar referencias estil\u00edsticas seguras para a sua produ\u00e7\u00e3o. Num contexto em que o naturalismo quebrava a tradi\u00e7\u00e3o rom\u00e2ntica, o modernismo imp\u00f5e-se como uma nova corrente original no seu tempo. N\u00e3o obstante e denotando as dificuldades da escultura em adoptar novas correntes e cortar com a tradi\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica, o artista opta por uma est\u00e9tica revivalista. Foi galardoado com diversos pr\u00e9mios ainda como aluno de Belas Artes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi presidente da Sociedade Nacional de Belas Artes entre 1912 e 1915 e de novo em 1917. Deixou uma notabil\u00edssima obra p\u00fablica como restauro do coro alto dos Jer\u00f3nimos; autor de diversos\u00a0 bustos entre os quais, Miguel Bombarda, D. Carlos, Jo\u00e3o de Deus, Jos\u00e9 Malhoa, Jos\u00e9 Augusto Aguiar, Ant\u00f3nio Jos\u00e9 de Almeida. Realizou os monumentos da Maria da Fonte e Afonso de Albuquerque, bem como, os t\u00famulos de Lu\u00eds de Cam\u00f5es e Vasco da Gama, mausol\u00e9u de Magalh\u00e3es Lima no cemit\u00e9rio dos Prazeres. No Pal\u00e1cio Hotel do Bu\u00e7aco ir\u00e1 colaborar com o amigo e mestre de Coimbra Ant\u00f3nio Augusto Gon\u00e7alves, na obra \u201cO Trovador\u201d, bem como no grupo escult\u00f3rico da Quinta da Regaleira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>-Ant\u00f3nio Augusto Gon\u00e7alves,<\/strong> Professor de Escultura na Escola Livre das Artes do desenho tendo tipo como aluno Ant\u00f3nio Augusto da Costa Motta, com o qual trabalharia no \u201c<strong>Trovador\u201d<\/strong> no Pal\u00e1cio Hotel do Bu\u00e7aco e no grupo <strong>escult\u00f3rico da Regaleira<\/strong> em Sintra. Com eles trabalharia igualmente o escultor <strong>Jo\u00e3o Machado. <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>-Jorge Cola\u00e7o <\/strong>(1868-1942) desenhador, destacou-se na caricatura, na pintura e especialmente no azulejo, demostrando uma inigual\u00e1vel capacidade inovadora sobretudo ao n\u00edvel das t\u00e9cnicas. Foi Director e Propriet\u00e1rio de revistas como O Thalassa, colaborador da Revista Branco e Negro. Era primo da actriz Am\u00e9lia Rey Colla\u00e7o Da sua vast\u00edssima obra tanto em Portugal como no estrangeiro (Brasil, Am\u00e9rica Latina, Su\u00ed\u00e7a) destacamos A esta\u00e7\u00e3o de s. Bento, o Pavilh\u00e3o dos Desportos (actual Carlos Lopes), Pal\u00e1cio da Bemposta, Pal\u00e1cio dos Condes de \u00d3bidos e naturalmente o Pal\u00e1cio Hotel do Bu\u00e7aco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Toda a envolv\u00eancia espacial do edif\u00edcio com bel\u00edssimos, jardins complementam e acrescentam a beleza do local. referente \u00e1 bel\u00edssima mata, de cuja gest\u00e3o eram respons\u00e1veis os monges do antigo convento de Santa Cruz do Bu\u00e7aco. Havia at\u00e9, sancionada por bula papal (1643) a amea\u00e7a de excomunh\u00e3o para quem destru\u00edsse \u00e1rvores, bem como a obriga\u00e7\u00e3o em cada ano de se plantarem novas \u00e1rvores, em substitui\u00e7\u00e3o as que eventualmente tivessem sido cortadas. Com efeito , gravadas na pedra da portaria (Porta de Coimbra), duas bulas, uma de Greg\u00f3rio XV (1622), interditando o espa\u00e7o conventual a mulheres e outra, de Urbano VIII (1643), interditando o corte de \u00e1rvores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na <strong>Mata Nacional do Bu\u00e7aco<\/strong>, um dos mais importantes arboretos europeus, em que avulta o \u201ccedro do Bu\u00e7aco\u201d, poder-se-\u00e3o apreciar os Miradouros rom\u00e2nticos, passos da Via Sacra e Cruz Alta, diversas ermidas e capelas, lagos do Vale dos Fetos, cascata da Fonte Fria).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bu\u00e7aco (cujo nome poder\u00e1 derivar de <strong><em>Boscum Sacr un<\/em><\/strong> que daria \u201c<strong><em>Sublaco<\/em><\/strong>\u201d, nome de um lugar de penitencia em Roma, ao tempo de S. Bento), representa simbolicamente, um Sacromonte ou montanha sagrada, cuja concep\u00e7\u00e3o subsiste em muitos santu\u00e1rios do nosso pa\u00eds. \u00c9 um conceito italiano, que remonta ao seculo XV, \u00e9poca em que Jerusal\u00e9m se encontrava na posse dos turcos otomanos. A no\u00e7\u00e3o evoca, uma forma de representa\u00e7\u00e3o da cidade santa, que se revive, recorrendo a um trajecto serpentiforme (inici\u00e1tico-ritualista), no qual, se sucedem capelas devocionais, aludindo aos passos da pris\u00e3o e paix\u00e3o de Cristo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A partir de It\u00e1lia difundiu-se rapidamente por toda a Europa, possibilitando ao viandante uma rica experiencia espiritual salv\u00edfica (com a mesma intensidade de uma presen\u00e7a real na Palestina), revivendo os \u00faltimos momentos da vida do Salvador. Em Portugal, pa\u00eds de antiqu\u00edssimas religi\u00f5es, em que esta forma de participa\u00e7\u00e3o numa experiencia hierog\u00e2mica, n\u00e3o era estranha, facilmente a religi\u00e3o oficial encontrou terreno f\u00e9rtil. Com efeito alguns aspectos da no\u00e7\u00e3o de sacromonte j\u00e1 se encontravam em antigas tradi\u00e7\u00f5es cultuais, donde no inconsciente colectivo, constituindo hoje uma marca identit\u00e1ria da espiritualidade do povo portugu\u00eas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8211;<\/strong>Em 1644, na sequencia da Contra-reforma, por ac\u00e7\u00e3o do Reitor de Coimbra, Manuel de Saldanha surgiu a <strong><em>Via Crucis<\/em><\/strong>, concretizando-se atrav\u00e9s da coloca\u00e7\u00e3o de cruzes de madeira com legendas, permitindo analogia com a tipologia dos calv\u00e1rios medievais. Cinquenta anos depois (1594) o Bispo-Conde de Coimbra D. Jo\u00e3o de Melo mandou colocar pinturas dos Passos da Paix\u00e3o, dentro de pequenas ermidas de planta central (<strong>Ermidas de Devo\u00e7\u00e3o)<\/strong>, impondo a sua pedra de armas na frontaria da cada capela dedicada a S. Jos\u00e9. Os analistas referem que este Bispo queria que a sua ac\u00e7\u00e3o n\u00e3o se resumisse a um percurso messi\u00e2nico, querendo ir mais longe, na representa\u00e7\u00e3o de uma nova Jerusal\u00e9m no deserto Carmelita. Assim, faz coincidir numa dimens\u00e3o mais reduzida, a exacta dist\u00e2ncia das medidas, \u201creais\u201d, \u00a0\u201chist\u00f3ricas\u201d, entre cada passo da Paix\u00e3o, descritas nos textos can\u00f3nicos e transpostas para o local, resultando, dadas as restri\u00e7\u00f5es espaciais, na sinuosidade do trajecto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas a emula\u00e7\u00e3o a Jerusal\u00e9m vais ainda mais longe, dado que este personagem incorporou elementos n\u00e3o descritos nas escrituras como o Cedron e outros como a porta de Silo\u00e9, Porta Judici\u00e1ria, o Pret\u00f3rio, e o Calv\u00e1rio. No Pret\u00f3rio encontram-se os 28 degraus que Cristo subiu para o pal\u00e1cio de Pilatos e a varanda do <em>Ecce Homo. <\/em>No Calv\u00e1rio os corpos sextavados e paralelepip\u00e9dicos representam o sepulcro de Cristo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No S\u00e9c. XVIII, D. Ant\u00f3nio Vasconcelos e Sousa patrocinou a cria\u00e7\u00e3o de figuras de vulto de que resta apena uma na Ermida de S. Jos\u00e9. Em 1887, dada a degrada\u00e7\u00e3o do local Rafael Bordalo Pinheiro foi encarregado pelo governo de cria doze grupos escult\u00f3ricos para os doze Passos, mas dos quais apenas foram realizados nove, mas que n\u00e3o foram colocados nos locais devidos. Mais tarde os Passos beneficiaram com a interven\u00e7\u00e3o do escultor Carlos Mota (sobrinho), policromada a partir do Passo do Despojamento das Vestes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8211;<\/strong>Existem tamb\u00e9m diversas Ermidas<strong> de Penitencia de <\/strong>invoca\u00e7\u00e3o das diversas Nossas Senhoras (Assump\u00e7\u00e3o, Expecta\u00e7\u00e3o, Concei\u00e7\u00e3o), St\u00aa Teresa, Santo Elias, S. Miguel, S- Jos\u00e9, S- Jo\u00e3o Baptista, etc., destinavam-se a habita\u00e7\u00e3o dos monges Carmelitas, que desejassem viver algum tempo fora da comunidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aqui chegados, poder\u00edamos colocar a quest\u00e3o das raz\u00f5es julgadas pertinentes, para propor um passeio num ambiente florestal, talvez algo fisicamente fatigante. Sem d\u00favida de que raz\u00f5es est\u00e9ticas, a tranquilidade contemplativa do local, a sua dimens\u00e3o esot\u00e9rica -simb\u00f3lica, ou o contacto revigorante com a natureza, ser\u00e3o considera\u00e7\u00f5es bastantes. Mas mais importante que tudo isso, o que se queria relevar, seria a possibilidade de aumento da consci\u00eancia em \u201csi\u201d (em cada um dos visitantes). de uma experiencia espiritual, c\u00f3smica e que tem a ver com uma concep\u00e7\u00e3o do sagrado, que ultrapassa a narratividade dos textos religiosos oficiais. As experiencias espirituais n\u00e3o s\u00e3o apenas poss\u00edveis num contexto ritual. Tais experiencias podem ser produzidas noutros contextos, noutros ambientes apropriadamente estimulantes e da\u00ed a resposta \u00e1 quest\u00e3o acima colocada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para muitos, urge reinventar uma espiritualidade e uma experiencia religiosa apropriada para o seculo XXI e, \u00e9 bem verdade que o Papa Francisco e muitos outros t\u00eam procurado faz\u00ea-lo. O Deus do homem ing\u00e9nuo, descrito como um ser que nos salva, que nos protege e que nos premeia e de cujos castigos temos medo, permitiu aos psicanalistas (e outros), descrev\u00ea-lo como uma sublima\u00e7\u00e3o do \u201cpai\u201d que tem uma rela\u00e7\u00e3o com um \u201cfilho\u201d, que lhe deve inquestion\u00e1vel obedi\u00eancia. Respeita-se tal perspectiva (se isso for equilibrante para as pessoas), at\u00e9 porque nos parece poss\u00edvel complementar, com um pensamento espiritual mais amplo e profundo, de resto, pressentido h\u00e1 j\u00e1 longo tempo, desde a filosofia cl\u00e1ssica, medieval, Francisco de Assis, Spinoza, William James e muitos outros. De facto, seria importante que o homem religioso, possu\u00edsse crescente sentimento extasiante, face \u00e1 intrigante harmonia da lei natural, desta grandiosidade harm\u00f3nica, que esta envolv\u00eancia permite evocar. Aqui, come\u00e7a a surgir um fio condutor, uma matriz espiritual, c\u00f3smica, indistintamente comum a dezenas dos santu\u00e1rios (muitos deles locais sagrados pr\u00e9-crist\u00e3os) que Portugal regista: Bu\u00e7aco, Tomar (mata dos sete montes), serra de Sintra\/Regaleira\/ Bom Jesus (Braga), Sr\u00aa dos Rem\u00e9dios (Lamego), N\u00aa Sra. das Preces\/ Oliveira do Hospital ou N\u00aa S\u00aa da Peneda (Ger\u00eas), para apenas citar alguns<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8211;<\/strong>Ent\u00e3o, Deus \u00e9 a origem de tudo o que existe perante os nossos sentidos; uma substancia eterna com atributos infinitos; \u00e9 a natureza e as suas manifesta\u00e7\u00f5es mais evidentes, s\u00e3o todas as criaturas vivas. E tudo isso impregna a nossa concep\u00e7\u00e3o de Cosmo no qual nos angustiamos na premente interroga\u00e7\u00e3o, do que \u00e9 a vida, a exist\u00eancia, qual nosso papel, qual o nosso princ\u00edpio e qual o nosso destino. Quando actuamos em concord\u00e2ncia com a natureza de Deus, produzimos felicidade e produzimos uma esp\u00e9cie de salva\u00e7\u00e3o e um sentimento de Liberdade. N\u00e3o apenas, aquela esp\u00e9cie de liberdade atinente ao livre arb\u00edtrio, mas uma liberdade mais radical, uma redu\u00e7\u00e3o dr\u00e1stica da depend\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o aos objectos, face aos quais, vivemos aprisionados. Quando deixamos prevalecer comportamentos eg\u00f3ticos, quando n\u00e3o conseguimos ser am\u00e1veis, quando n\u00e3o nos disponibilizamos solidariamente, negamos a oportunidade de atingir a paz interior e o sentimento da plenitude. Assim, n\u00e3o h\u00e1 que temer Deus, pois que a \u00fanica coisa a temer, \u00e9 o nosso pr\u00f3prio comportamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Da\u00ed a import\u00e2ncia de se utilizarem instrumentos intelectuais como o conhecimento e a reflex\u00e3o profunda e que poder\u00e3o ser exponenciados na contempla\u00e7\u00e3o e introspe\u00e7\u00e3o daqueles complexos ambientais estimulantes, plenos de harmonia, tranquilidade, beleza e for\u00e7a tel\u00farica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um incomensur\u00e1vel abra\u00e7o amigo e solid\u00e1rio<br \/>\nFernando Casqueira<br \/>\nR:.I:. G:.P:.B:. \/ V:.M:.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na sequ\u00eancia das antecedentes desloca\u00e7\u00f5es (visitas l\u00fadico\/recreativas de conv\u00edvio e estudo) j\u00e1 efectuadas a diversos locais, prop\u00f5e-se agora a abordagem \u00e1 regi\u00e3o do Bu\u00e7aco, deveras interessante, n\u00e3o apenas pela sua riqueza em termos de patrim\u00f3nio hist\u00f3rico, art\u00edstico, mas igualmente pelo universo sem\u00e2ntico em termos de significa\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica esot\u00e9rica. -\u00c9 uma proposta que surge no contexto 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