{"id":1933,"date":"2016-10-05T18:27:30","date_gmt":"2016-10-05T18:27:30","guid":{"rendered":"https:\/\/www.glup.pt\/?p=1933"},"modified":"2016-10-05T18:27:30","modified_gmt":"2016-10-05T18:27:30","slug":"ser-portugues-manifesto-1-a-parte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.glup.pt\/web\/?p=1933","title":{"rendered":"Ser Portugu\u00eas: manifesto (1.\u00aa parte)"},"content":{"rendered":"<blockquote>\n<p style=\"text-align: right;\">(Os portugueses partir\u00e3o) em busca de uma India nova que n\u00e3o existe no espa\u00e7o, em naus que s\u00e3o constru\u00eddas daquilo que os sonhos s\u00e3o feitos.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Fernando Pessoa (1888\/1935)<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Agora, fazendo-se tudo na interioridade, os monstros a vencer estar\u00e3o na sua alma, \u2018num mar sem tempo nem espa\u00e7o\u2019 e j\u00e1 n\u00e3o projectados num mar exterior. (\u2026) \u00a0Esse ser\u00e1 o primeiro passo, inelut\u00e1vel, para o encontro consigo mesmo, a prova pedida: vencer o medo.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Dalila Pereira da Costa (1918\/2012) *<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">(Fernando Pessoa) morreu sem ter visto que uma comunidade (de l\u00edngua portuguesa) se formasse, como n\u00e3o a viram nem um Vieira (1608\/1697) nem um D.Lu\u00eds da Cunha (1662\/1749)** nem um D.Jo\u00e3o VI, porque podem os homens imaginar e desejar o futuro mas a sua vida passa-se no presente; e \u00e9 pena que nele se passe t\u00e3o pouco, j\u00e1 que o presente \u00e9 o tempo de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Agostinho da Silva (1906\/1994)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 estimulante ler nestas curiosas frases um contagiante e estimulante sentimento de n\u00e3o acomoda\u00e7\u00e3o ao passado, pressagiando que a nossa miss\u00e3o, se a houver, n\u00e3o se cumpriu e que ainda h\u00e1 cap\u00edtulos por escrever no \u201cLivro de Ouro\u201d da portugalidade. As palavras que hoje vos dirijo nesta prancha\/manifesto servem precisamente para vos convidar a nele se inscreverem por direito pr\u00f3prio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A vida pode n\u00e3o ter um prop\u00f3sito unificador, mas isso n\u00e3o nos impede de procur\u00e1-lo. Encontrar um motivo e acreditar nele pode ser todo o prop\u00f3sito que precisamos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Podemos escolher viver como a corti\u00e7a que flutua no vasto oceano, ao sabor do vento e das correntes, sem se preocupar com isso ou com a batim\u00e9trica. Ou podemos almejar a ler as is\u00f3baras, a interpretar um \u00e1baco de mar\u00e9s e perceber de oceanografia. \u00c9 este o des\u00edgnio que nos espera, se acreditarmos no que dizem os escritores e fil\u00f3sofos acima citados. Para o fazer n\u00e3o temos que ir \u00e0 escola ou para a Faculdade: basta-nos n\u00e3o desperdi\u00e7ar quem somos, e us\u00e1-lo em prol do significado da Inicia\u00e7\u00e3o por onde todos pass\u00e1mos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na vis\u00e3o manifestada pela GLUP para o Rito Portugu\u00eas, somos convidados, entre outras coisas, a divulgar os pensadores como o professor Agostinho da Silva por\u00a0 nos ajudarem a refletir e a compreender aquilo que somos, enquanto portugueses,\u00a0 e ao que podemos aprender e aspirar com os seus ensinamentos enquanto seres humanos empenhados em melhorar as\u00a0 nossas tend\u00eancias cognitivas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Debrucemo-nos, como mote, nesta sua frase: \u201cA quest\u00e3o portuguesa n\u00e3o \u00e9 de se falar ou n\u00e3o falar portugu\u00eas. \u00c9 de ser ou n\u00e3o ser \u00e0 maneira portuguesa, que \u00e9 ser variad\u00edssimas coisas ao mesmo tempo, e por vezes coisas que parecem contradit\u00f3rias; e \u00e9 a possibilidade de tomar um tema e olh\u00e1-lo de v\u00e1rias maneiras, conforme o temperamento da pessoa, a \u00e9poca em que vive, a linguagem que usa, a maneira como se sente na vida.\u201d (o bold \u00e9 meu)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ou seja, \u00e9 agir sempre em fun\u00e7\u00e3o do Agora, do momento exacto em que nos encontramos e arriscando decidir em conformidade com essas premissas por confiarmos no nosso discernimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Que fique claro que a proposta aqui avan\u00e7ada exige, como obreiros desta ordem inici\u00e1tica, uma dedica\u00e7\u00e3o incondicional, tendo em conta, e volto a citar o professor\/fil\u00f3sofo, que \u201cToda a grande obra sup\u00f5e um sacrif\u00edcio; e \u00e9 no pr\u00f3prio sacrif\u00edcio que se encontra a mais bela e a mais valiosa das recompensas.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Meus queridos irm\u00e3os, acreditem que \u201cO que impede de saber n\u00e3o s\u00e3o nem o tempo nem a intelig\u00eancia, mas somente a falta de curiosidade.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Ma\u00e7onaria, enquanto organiza\u00e7\u00e3o inici\u00e1tica, est\u00e1 vocacionada para faz\u00ea-lo, libertando-nos da influencia nefasta da soberba e do ego em prol do pr\u00f3ximo; e a GLUP, enquanto ordem ma\u00e7\u00f3nica aferida ao nosso \u00e2mago, \u00e0 portugalidade, \u00e9 a mais indicada para o conseguir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O desafio \u00e9 saber como faz\u00ea-lo, embora n\u00e3o seja dif\u00edcil: s\u00f3 se exige que se cumpram os rituais e respeitem os ritos porque est\u00e1 l\u00e1 toda a informa\u00e7\u00e3o que precisamos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vamos ent\u00e3o confirmar estar na posse de uma mais valia que nos permitir\u00e1 fazer face a t\u00e3o grande empreendimento, n\u00e3o desperdi\u00e7ando as nossas qualidades intr\u00ednsecas: as cong\u00e9nitas e as adquiridas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como sabem, \u00e9-nos dito que pela inicia\u00e7\u00e3o sofremos a morte profana e renascemos para a Luz. N\u00e3o h\u00e1 aqui qualquer compara\u00e7\u00e3o com postulados tipo New Age, pois a Luz que nos \u00e9 conferida ap\u00f3s a Inicia\u00e7\u00e3o \u00e9 perten\u00e7a de uma Old Age milenar\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que vos digo \u00e9 que nesse dia especial, tivemos ou dever\u00edamos ter tido, uma epifania que nos permitiu perceber que o nosso corpo \u00e9 somente um ve\u00edculo f\u00edsico para a consci\u00eancia e que ela prevalece para l\u00e1 da nossa morte f\u00edsica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa clarivid\u00eancia, n\u00e3o pode haver melhor palavra para o definir, vai sendo refor\u00e7ada \u00e0 medida que nos elevamos de grau, culminando, neste simbolismo tern\u00e1rio, com a nossa exalta\u00e7\u00e3o a Mestre onde, como ir\u00e3o compreender aqueles que ainda n\u00e3o l\u00e1 chegaram, tudo se torna mais \u00f3bvio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9, portanto, ao libertarmo-nos da morte, n\u00e3o s\u00f3 pelas obras valorosas que anuncia Cam\u00f5es, mas tamb\u00e9m por acreditarmos que a nossa consci\u00eancia permanecer\u00e1 como eco da nossa manifesta\u00e7\u00e3o f\u00edsica que, sem angustias ou medos existenciais, teremos a for\u00e7a que os poetas anunciam, os historiadores corroboram e n\u00f3s acreditamos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao assumi-lo, captamos a energia da \u00e1gua vinda da matriz aqu\u00edfera oriunda da nascente Lusitana, canalizada por Viriato desde a M\u00e3e d\u2019\u00e1gua primordial, ber\u00e7o oce\u00e2nico da vida na Terra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas nunca nos esque\u00e7amos que ela \u00e9 alimentada por todos os mares do mundo, mares por sua vez chegados at\u00e9 n\u00f3s \u00e0 boleia de astros que denomin\u00e1mos Cometas e que, ao despenharem-se na crosta terrestre, trouxeram com eles este precioso liquido amni\u00f3tico onde nascemos, mimese orbital do g\u00e2meta masculino que ao encontrar o seu par feminino, o planeta Terra, originou o milagre da vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Somos hoje parte dos dez milh\u00f5es de pessoas chamadas de \u2018portuguesas\u2019 e de mais uns tantos que se encontram na di\u00e1spora e que formam outra gota, maior que a ma\u00e7\u00f3nica, mas ainda assim diminuta se comparada com o grande reservat\u00f3rio planet\u00e1rio onde, nos dias de hoje, coabitam mais de sete mil milh\u00f5es de seres.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E devido a este elevado n\u00famero de seres humanos na Terra teremos, a curto prazo, necessidade de empreender expedi\u00e7\u00f5es intergal\u00e1cticas para lidar com a crescente falta de recursos para satisfazer as necessidades desta t\u00e3o grande popula\u00e7\u00e3o que aumenta exponencialmente a cada dia que passa; a nossa casa, \u201ceste maravilhoso pontinho azul no espa\u00e7o\u201d, como o apelidou o astr\u00f3nomo Carl Sagan, precisa de ser aliviada de tanta explora\u00e7\u00e3o de recursos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para isso \u00e9 imperioso descobrir novas formas de lidar com o Espa\u00e7o e o Tempo, pois com o actual n\u00edvel de conhecimento cientifico, isso ainda n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Compete-nos proporcionar enquanto cidad\u00e3os activos no mundo profano, e que em \u00faltima an\u00e1lise tamb\u00e9m \u00e9 o nosso, que\u00a0 as condi\u00e7\u00f5es ambientais e humanas n\u00e3o se deteriorem ao ponto de ser irrevers\u00edvel qualquer tomada de posi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O processo pode ser longo, mesmo geracional como o da constru\u00e7\u00e3o do Mosteiro de Santa Maria da Vict\u00f3ria ou da Batalha e que, como sabem, levou mais de dois s\u00e9culos a ser constru\u00eddo, com as obras a estenderem-se durante os reinados de sete reis; mas fez-se, e isso \u00e9 que importa!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este \u00e9 o nosso momento para come\u00e7ar, n\u00e3o h\u00e1 como adiar: \u00e9 urgente actuar!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Talvez, quem sabe, seja esta a voca\u00e7\u00e3o intr\u00ednseca da GLUP, recrutando obreiros e filiando-os para melhor desempenharem a sua tarefa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu acredito nisso, pois as ferramentas que dispomos enquanto portugueses &#8211; s\u00e9culos de hist\u00f3ria e aprendizagem &#8211; s\u00e3o as mais adequadas para levar a bom porto as nossas inten\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Chegamos agora \u00e0 conclus\u00e3o mais importante deste manifesto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Interiorizem e memorizem que \u2018levar a bom porto\u2019 n\u00e3o \u00e9 um destino a alcan\u00e7ar ou um local a atingir pois, meus queridos Irm\u00e3os, aqui n\u00e3o h\u00e1 portos de destino\u2026O que h\u00e1, sim, s\u00e3o tiroc\u00ednios espirituais, singraduras vital\u00edcias onde todas as respostas nos ser\u00e3o dadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E talvez seja esta a chave do sucesso a que todos almejamos: n\u00e3o temos que chegar a lado algum, mas chegaremos a bom porto!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Temos \u00e9 que come\u00e7ar j\u00e1 a reunir a palamenta para a \u201cviagem\u201d e viver o momento exacto em que nos encontramos, o \u2018Agora\u2019, focando-nos no tempo presente, o tempo de Deus como nos foi dito por Agostinho da Silva, fazendo valer a \u2018mat\u00e9ria\u2019 com que \u00e9 feito um portugu\u00eas.<\/p>\n<h6 style=\"text-align: right;\">*Dalila Pereira da Costa foi uma escritora, ensa\u00edsta e poetisa nascida no Porto, aceite como um dos maiores vultos da cultura portuguesa contempor\u00e2nea.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: right;\">**D.Lu\u00eds da Cunha nasceu em Lisboa e foi um <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Diplomata\">diplomata<\/a> portugu\u00eas que serviu o rei <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Jo%C3%A3o_V_de_Portugal\">D. Jo\u00e3o V<\/a>. Foi <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Comenda\">comendador<\/a> da Ordem de Cristo, <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Arcediago\">arcediago<\/a> da S\u00e9 de \u00c9vora, Juiz desembargador do Pa\u00e7o, enviado \u00a0extraordin\u00e1rio de Portugal \u00e0s <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Corte_(realeza)\">Cortes<\/a> de Londres, <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Madrid\">Madrid<\/a> e <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Paris\">Paris<\/a>, e ministro plenipotenci\u00e1rio no <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/w\/index.php?title=Congresso_de_Utrecht&amp;action=edit&amp;redlink=1\">Congresso de Utrecht<\/a>. Pertenceu tamb\u00e9m \u00e0 <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Real_Academia_de_Hist%C3%B3ria\">Real Academia de Hist\u00f3ria<\/a><\/h6>\n<p style=\"text-align: justify;\">Setembro de 6016, a Oriente de Lisboa, LVB, M.M., G.O. das Artes<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(Os portugueses partir\u00e3o) em busca de uma India nova que n\u00e3o existe no espa\u00e7o, em naus que s\u00e3o constru\u00eddas daquilo que os sonhos s\u00e3o feitos. Fernando Pessoa (1888\/1935) Agora, fazendo-se tudo na interioridade, os monstros a vencer estar\u00e3o na sua alma, \u2018num mar sem tempo nem espa\u00e7o\u2019 e j\u00e1 n\u00e3o projectados num mar exterior. 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