Defesa Psíquica

Os grupos humanos normais constituem-se impulsionados por interesses mundanos e profanos, económicos e outros. Os grupos esotéricos constituem-se sob impulsos espirituais. São criados no mundo das ideias antes de se fazerem concretos e operativos. Assim é com a Maçonaria, cujas origens se perdem na noite dos tempos mas por detrás da qual se intui a Presença de ilustres e desconhecidos seres luminosos de imensa sabedoria. A Maçonaria sempre visou a edificação de Templos: os templos que eram catedrais,os templos que são seres humanos e o templo que é a Humanidade consagrada.

Porém sempre houve vendilhões em templos: vendilhões que são os que tentam usar espaços sagrados para lucrarem, ou seja, obterem benefícios próprios. Também sempre houve profanadores: os que tentam invadir e destruir o sagrado, afastando a presença do GADU e colocando a adoração de bezerros dourados, símbolos da mundanidade, no seu lugar.

A Defesa Psíquica é o conjunto de práticas pelas quais protegemos, por nossa humana iniciativa, os lugares sagrados e sagráveis – em nós mesmos e no mundo. Por maioria de razão, no templo maçónico. Se a fizermos bem, seremos então dignos de Protecção Espiritual, pela qual potestades espirituais complementam o nosso labor. Noutros termos, o São Jorge da nossa personalidade santificada, cavalgando uma animalidade disciplinada e consagrada, derrota o dragão dos nossos vícios com a lança da mente focalizada e aguçada pela vontade espiritual, digna então de conduzir a energia de São Miguel, o Arcanjo da protecção.

O dragão a derrotar tem, porém, múltiplas facetas, qual hidra representando o ego que renasce em múltiplas formas. Todas as grandes tradições espirituais falam em demónios. Muitas falam em espíritos desorientados, fantasmas famintos e outros seres psíquicos que podem ser prejudiciais aos humanos (como as sereias ou os gnomos). As mesmas tradições falam-nos na existência dos níveis com forma, que incluem o quadrado humano “mundano” do corpo físico, corpo etérico-vital, corpo emocional e corpo mental, e o triângulo dos mundos “sem forma” que inclui a nossa mente abstracta, o nosso corpo intuicional e o nosso corpo átmico ou de vontade espiritual. Falam-nos, ainda, da centelha espiritual que nos habita e é una com o Fogo divino.

A Maçonaria, sendo amiga da Humanidade e procurando edificá-la, torna-se alvo do ataque por seres do mundo psíquico que não querem abdicar do domínio que têm exercido sobre o mundo humano. Existem seres que temem a luz e seres que a odeiam. Não podemos nem devemos ser ingénuos: existem criaturas cujo objectivo é destruir a Maçonaria e todos os grupos que, como ela, procuram polir a pedra da humanidade e mesmo transmutá-la em diamante. Como agem? Atacando frontalmente os que procuram a luz, seja tentando fazê-los adoecer fisicamente ou perturbá-los emocional ou mentalmente. Podem usar projecções de energia agressivas, manipular mentes, amplificar instintos e sentimentos menos nobres, arregimentar seres elementais ou mesmo demoníacos contra os maçons de todos os tipos e confrarias. Quando não conseguem derrubar directamente um ser humano ou um grupo, podem manipular outros para que façam esse trabalho. Quando não conseguem a um nível, podem tentar outro: falhado um ataque ao físico, resta atacar o emocional, o laboral, relacional e assim por diante.

Como nos protegemos? O campo é muito vasto. Porém existem referências: a mente focalizada pode ser usada para manejar e condensar energia criando barreiras energéticas protectoras e filtrantes, com formas como armaduras cristalinas, auras reforçadas, figuras geométricas que invocam energias arquetípicas como o pentagrama e o hexagrama; o coração pode ser elevado ao alto em oração, invocando a presença dos representantes do GADU; energias podem ser contactadas e trazidas de muito longe para proteger e elevar pessoas e lugares. Para isso, é necessário adestrar a mente na meditação e na oração e aprender a usá-la de modo criativo. É necessário colocar os valores do espírito acima da pessoa e, ao fazê-lo, construir para a Eternidade – como era o mister dos antigos construtores de catedrais. É necessário desenvolver a firmeza de permanecer entre colunas que são também pares de opostos para ascender na direcção do GADU. O manejo de incensos e cristais, talismãs e outras formas complementa o trabalho, do mesmo modo que o faz o uso de formas sonoras consagradas como a música, oração e mantras que ajudam a elevar a vibração e a criar ressonâncias que atravessam o espaço e unem o ser humano com os altos lugares onde habitam os deuses.

O que protegemos? O templo em nós mesmos, o altar secreto do coração onde a flama divina pode tornar-se Presença; o templo externo, onde o ritual pode e deve fazer-se dança divina, dramatizando conscientemente a invocação, protecção e irradiação da energia celeste.

O dever de um maçon passa, a nosso ver, por tomar consciência da realidade dos mundos invisíveis e saber lidar com eles ao serviço do divino. De outro modo, corre o risco de permitir que o profano profane e que o mundano seja colocado acima do divino. Corre o risco de permitir que a Maçonaria seja distorcida e profanada pelo predomínio do ego humano com todos os seus vícios e limitações, por sua vez amplificados por forças que são inimigas do progresso humano: aquelas que não querem a Liberdade do Espírito que supera as limitações da animalidade humana, a Igualdade dos irmãos que se respeitam muito para além das suas diferenças, nivelados pela sua essência divina, nem a Fraternidade dos que agem em unidade no serviço divino.

VR