Ágape em Honra das Senhoras | GLUP

No âmbito da sessão de Grande Loja, convidam-se todos os Obreiros e famílias, para o Ágape em Honra das Senhoras, a ter lugar no próximo dia 22 de setembro, pelas 20h, no restaurante Golf Spot, na Academia de Golf de Lisboa (Estádio Universitário de Lisboa).

Preço: 25.00 € por pessoa (crianças até aos 10 anos com 50% de desconto).

Morada: Restaurante Golf Spot, Azinhaga das Galhardas 1600-213 Lisboa – GPS: Lat: 38º 45’ 12, 39’’ N Long: 9º 9’ 54,08’’ W

Sessão de Grande Loja | G⸫L⸫U⸫P⸫

M⸫Q⸫I⸫,

Encarrega-me o R⸫I⸫ Paulo Cardoso, Respeitabilíssimo Grão-Mestre de te convocar, e aos obreiros da tua Loja, para a Sessão de Grande Loja, que se realiza no próximo dia 7 de Julho de 6018, pelas 10h.00m., e que decorrerá no mar do Algarve, a bordo da embarcação Espírito Oceânico – Marina de Albufeira, seguida de Almoço em Honra das Senhoras a realizar na referida marina, restaurante Gazetto, pelas 13h30.
Considerando que se trata de uma Sessão de Grande Loja Especial, a qual decorre a bordo de uma embarcação, peço a tua especial atenção para o horário de entradas na Sessão de Grande Loja, para que os trabalhos comecem impreterivelmente à hora marcada, conforme ordem de trabalhos e programa infra.
Na referida embarcação, haverão dois espaços específicos, um para a sessão da Grande Loja e outro para os nossos familiares e amigos, sendo que no final da sessão nos iremos juntar todos.
O valor do passeio e ágape será de 40€ por pessoa, para as crianças o preço será de 30€ (inclui passeio de barco e almoço).

Programa

  • Embarcação: Espírito Oceânico: O embarque será efetuado na Marina de Albufeira na Porta 1, e o check in deverá ser feito no escritório da Dolphins Driven.
    Parque de estacionamento gratuito na Marina para todos os participantes
  • Cruzeiro / Programa: Passeio pela Costa
  • 10:00 – Embarque
    • Famílias e amigos piso 2
    • Maçons piso 1 – Templo Grande Loja
  • 10:30 – Hora de partida e início da Grande Loja
  • 12:30 – Hora de término da Grande Loja
  • 12:45 – Deposição de uma flor no mar em memória dos entes queridos
  • 13:30 – Final do cruzeiro (Duração do cruzeiro: 3 Horas)
  • 13:30 – Almoço: Restaurante Gazetto

Exordium (5)

Comemoramos nesta data, 4 de julho, dois anos da nossa existência, enquanto Grande Loja Unida de Portugal.

Nesta data, recordamos a nossa vocação de sempre, que é a de sermos Excelentes Maçons e criarmos uma Maçonaria onde nos revíssemos e onde pudéssemos trabalhar em harmonia, em paz e sempre em favor do próximo e da Sociedade.

Foi assim que surgiu a Grande Loja Unida de Portugal.

Uma Grande Loja, que quis que uma nova geração de Maçons servisse Portugal.

Uma Grande Loja que recuperasse os landmarks, princípios e valores da maçonaria regular, mas ainda e consequentemente, que transmitisse uma imagem moderna, aberta e sem preconceitos de prática efetiva dos princípios basilares da justiça, liberdade de pensamento, solidariedade, fraternidade, verdade e honestidade.

Desde o momento que idealizámos a Grande Loja Unida de Portugal, que foi nosso primado dar espaço à cidadania, para que Homens livres e de bons costumes venham ter connosco e nos ajudem a intervir de forma séria e empenhada na construção de uma nação e sociedade portuguesas melhores.

Idealizámos, quisemos e assim o praticamos, uma forma de fazer Maçonaria diferente, onde a Grande Loja Unida de Portugal, se afirma e integra numa sociedade de mudança e em constante evolução.

Foram dois anos de enorme trabalho coletivo, de alegrias, de concretizações, de realizações, mas também de desilusões…

Assistimos a algumas desilusões, sob o pretexto de uma suposta não existência de um Regulamento Geral, que afinal até existia, mas que foi bandeira para se atingirem outros objetivos, hoje claros para todos…

Somos uma Grande Loja, com uma Associação profana que tem personalidade jurídica, que possui os seus Estatutos publicados, que possui contas aprovadas e que as apresenta à Administração Fiscal. Como sempre, os Maçons devem e têm de estar na vanguarda da sociedade profana, sendo honestos, verdadeiros e humildes.

Todas as Obediências, ao longo da História, possuem diferentes momentos, mas o importante é olharmos para trás e verificarmos que deixámos uma marca, da qual não só não nos arrependemos como nos orgulhamos, porque somos pessoas de bem.

Somos e temos que continuar a ser uma Instituição que passados mais de 300 anos da sua constituição, funciona como uma plataforma entre Homens, culturas, capazes de criar diálogo, fazer a paz, aproximar visões diferentes.

Os dois anos, que hoje assinalamos, devem-se ao facto de, ao longo desta nossa curta existência, possuirmos a sabedoria necessária para conciliar duas exigências nem sempre coincidentes: por um lado, a adaptação ao ritmo vertiginoso do tempo; por outro lado, a preservação da nossa matriz fundadora e da nossa marca identitária. Sabendo ler os sinais dos tempos, a Grande Loja Unida de Portugal, inicialmente circunscrita à capital do País, foi estendendo as suas Lojas ao território nacional. Assumiu desde a sua origem três pilares onde atua, a educação/formação, a cultura e a solidariedade, com uma programação e um planeamento dirigido a toda a sociedade. Conquistámos, por mérito inteiramente nosso, o profundo apreço por parte de todos quantos lidam com a Maçonaria.

É indesmentível que trabalhámos todos imenso nestes nossos dois anos. Tivemos a sorte de muitos dos nossos Irmãos terem sentido este projeto como algo de seu e nos terem ajudado muitíssimo.

No final destes dois anos, trabalhámos no nosso crescimento interno, elevámos a nossa formação e conhecimentos, abrimos e demo-nos a conhecer ao exterior, encetámos aproximações com entidades com as quais nos cruzamos diariamente, ajudámos os que mais precisavam…

Tudo isto foi obra nossa, de todos os Maçons da Grande Loja Unida de Portugal.

No entanto, muito ainda temos que fazer.

O crescimento da nossa Grande Loja terá que manter um ritmo adequado, nomeadamente continuando a procurar os melhores e formando-os para que possam sentir o que é ser Maçon.

Outro dos nossos objetivos, prender-se-á com o nosso reconhecimento exterior e essa etapa já foi encetada no início deste ano.

Já demos provas do que somos e daquilo que podemos sonhar…

Como tantas vezes já repetimos, a Maçonaria teve, ao longo da história, um papel essencial no avanço da humanidade, na liberdade dos povos e na melhoria das condições de vida das pessoas.

É essencial preservar esse rumo pois a Maçonaria continua a fazer sentido enquanto caminho de aperfeiçoamento individual, partilha de vivências e contributo para a melhoria da vida em comunidade. Nesse sentido, importa que a Maçonaria seja uma escola de valores e princípios e uma academia de liderança. Um espaço de liberdade, de pensamento, de debate e inovação, de criação de projetos que contribuam para a melhoria da sociedade.

Como em todos os projetos tivemos muitas vezes que apanhar pedras, debastar outras tantas e abandonar as indesejáveis, pois quando queremos, nos unimos no fundamental, e trabalhamos com competência, com método e com metas claras – superamos todas as dificuldades.

No início deste projeto, havia aqueles que não acreditavam que fossemos capazes de construir e edificar uma Grande Loja…. demonstrámos o contrário! Esqueceram-se que nós somos verdadeiros Maçons e que Unidos não nos conseguem travar.

Nós já tínhamos aprendido uma lição – a de que, no essencial, temos sucesso quando e sempre que estivermos unidos.

Neste tempo em que nos abrimos e nos damos a conhecer, temos de reafirmar os nossos princípios e saber o que é preciso fazer primeiro.

Os nossos princípios: acreditamos nas pessoas, no respeito da sua dignidade, das suas diferenças, dos seus direitos pessoais, políticos e sociais; acreditamos na democracia; acreditamos no Estado Social; acreditamos no dever de construir a solidariedade e a paz, e de lutar contra o terrorismo, na Europa onde nascemos, na Comunidade que fala português que ajudámos a criar, no Atlântico que atravessámos, nos novos mundos onde estivemos e estamos e queremos unir cada vez mais.

À luz destes princípios, iremos continuar a construir o que foi iniciado há mais de 300 anos.

Com esperança.
Com confiança.
Com fraternidade.
Acreditando sempre em nós próprios.
Acreditando sempre na Maçonaria e em Portugal!
Estamos Todos de Parabéns, Brindamos ao nosso 2º Aniversário!

Paulo Cardoso
Grão-Mestre

Defesa Psíquica

Os grupos humanos normais constituem-se impulsionados por interesses mundanos e profanos, económicos e outros. Os grupos esotéricos constituem-se sob impulsos espirituais. São criados no mundo das ideias antes de se fazerem concretos e operativos. Assim é com a Maçonaria, cujas origens se perdem na noite dos tempos mas por detrás da qual se intui a Presença de ilustres e desconhecidos seres luminosos de imensa sabedoria. A Maçonaria sempre visou a edificação de Templos: os templos que eram catedrais,os templos que são seres humanos e o templo que é a Humanidade consagrada.

Porém sempre houve vendilhões em templos: vendilhões que são os que tentam usar espaços sagrados para lucrarem, ou seja, obterem benefícios próprios. Também sempre houve profanadores: os que tentam invadir e destruir o sagrado, afastando a presença do GADU e colocando a adoração de bezerros dourados, símbolos da mundanidade, no seu lugar.

A Defesa Psíquica é o conjunto de práticas pelas quais protegemos, por nossa humana iniciativa, os lugares sagrados e sagráveis – em nós mesmos e no mundo. Por maioria de razão, no templo maçónico. Se a fizermos bem, seremos então dignos de Protecção Espiritual, pela qual potestades espirituais complementam o nosso labor. Noutros termos, o São Jorge da nossa personalidade santificada, cavalgando uma animalidade disciplinada e consagrada, derrota o dragão dos nossos vícios com a lança da mente focalizada e aguçada pela vontade espiritual, digna então de conduzir a energia de São Miguel, o Arcanjo da protecção.

O dragão a derrotar tem, porém, múltiplas facetas, qual hidra representando o ego que renasce em múltiplas formas. Todas as grandes tradições espirituais falam em demónios. Muitas falam em espíritos desorientados, fantasmas famintos e outros seres psíquicos que podem ser prejudiciais aos humanos (como as sereias ou os gnomos). As mesmas tradições falam-nos na existência dos níveis com forma, que incluem o quadrado humano “mundano” do corpo físico, corpo etérico-vital, corpo emocional e corpo mental, e o triângulo dos mundos “sem forma” que inclui a nossa mente abstracta, o nosso corpo intuicional e o nosso corpo átmico ou de vontade espiritual. Falam-nos, ainda, da centelha espiritual que nos habita e é una com o Fogo divino.

A Maçonaria, sendo amiga da Humanidade e procurando edificá-la, torna-se alvo do ataque por seres do mundo psíquico que não querem abdicar do domínio que têm exercido sobre o mundo humano. Existem seres que temem a luz e seres que a odeiam. Não podemos nem devemos ser ingénuos: existem criaturas cujo objectivo é destruir a Maçonaria e todos os grupos que, como ela, procuram polir a pedra da humanidade e mesmo transmutá-la em diamante. Como agem? Atacando frontalmente os que procuram a luz, seja tentando fazê-los adoecer fisicamente ou perturbá-los emocional ou mentalmente. Podem usar projecções de energia agressivas, manipular mentes, amplificar instintos e sentimentos menos nobres, arregimentar seres elementais ou mesmo demoníacos contra os maçons de todos os tipos e confrarias. Quando não conseguem derrubar directamente um ser humano ou um grupo, podem manipular outros para que façam esse trabalho. Quando não conseguem a um nível, podem tentar outro: falhado um ataque ao físico, resta atacar o emocional, o laboral, relacional e assim por diante.

Como nos protegemos? O campo é muito vasto. Porém existem referências: a mente focalizada pode ser usada para manejar e condensar energia criando barreiras energéticas protectoras e filtrantes, com formas como armaduras cristalinas, auras reforçadas, figuras geométricas que invocam energias arquetípicas como o pentagrama e o hexagrama; o coração pode ser elevado ao alto em oração, invocando a presença dos representantes do GADU; energias podem ser contactadas e trazidas de muito longe para proteger e elevar pessoas e lugares. Para isso, é necessário adestrar a mente na meditação e na oração e aprender a usá-la de modo criativo. É necessário colocar os valores do espírito acima da pessoa e, ao fazê-lo, construir para a Eternidade – como era o mister dos antigos construtores de catedrais. É necessário desenvolver a firmeza de permanecer entre colunas que são também pares de opostos para ascender na direcção do GADU. O manejo de incensos e cristais, talismãs e outras formas complementa o trabalho, do mesmo modo que o faz o uso de formas sonoras consagradas como a música, oração e mantras que ajudam a elevar a vibração e a criar ressonâncias que atravessam o espaço e unem o ser humano com os altos lugares onde habitam os deuses.

O que protegemos? O templo em nós mesmos, o altar secreto do coração onde a flama divina pode tornar-se Presença; o templo externo, onde o ritual pode e deve fazer-se dança divina, dramatizando conscientemente a invocação, protecção e irradiação da energia celeste.

O dever de um maçon passa, a nosso ver, por tomar consciência da realidade dos mundos invisíveis e saber lidar com eles ao serviço do divino. De outro modo, corre o risco de permitir que o profano profane e que o mundano seja colocado acima do divino. Corre o risco de permitir que a Maçonaria seja distorcida e profanada pelo predomínio do ego humano com todos os seus vícios e limitações, por sua vez amplificados por forças que são inimigas do progresso humano: aquelas que não querem a Liberdade do Espírito que supera as limitações da animalidade humana, a Igualdade dos irmãos que se respeitam muito para além das suas diferenças, nivelados pela sua essência divina, nem a Fraternidade dos que agem em unidade no serviço divino.

VR

Ordinário vs extraordinário

O Ritual distingue o ordinário do extraordinário. Esta frase, referida por um nosso Querido Irmão no nosso canal de comunicação, oferece-se a nós como um repto latente, pela enorme carga simbólica que traz a si associada. Tentei lançar este repto que a mim, de forma não intencional era lançado, a não ser por mim e a mim próprio, em última análise, e resolvi trazer até vós as minhas considerações, as quais não são as de um sábio ou conhecedor, mas sim, tão à mão do mais recente iniciado no nosso seio, apenas por pensar, e esta é a minha forma de o fazer.

Poderia tentar (perdoem-me o termo) “dourar a pílula” com definições extraídas dos mais poeirentos, empedernidos e cheios de sabedoria livros de uma qualquer estante de saber, abandonada numa biblioteca ao alcance de quem quer perder uns minutos a fazer uma pesquisa, mas resolvi trazer-vos exactamente aquilo que eu penso sobre o assunto, com um pequeno senão, que passo a transcrever: Quão admirável é a tradição segundo a qual as palavras do nosso ritual hão-de repetir-se sem nada acrescentar, omitir ou alterar, porque a maioria das frases foram redigidas de forma tão perfeita que qualquer variação quebraria a sua sonoridade e corromperia o seu significado[1]. Arthur Edward Powell

Apesar do que foi escrito por Arthur Powell, o qual em parcas palavras diz exactamente tudo o que há a dizer, arrisco-me a ir mais além e dissecar o que nos trouxe até aqui: Ritual.

O Ritual é, para mim, uma sistematização de acções e palavras por forma a conferir mais dignidade ao acto ou cerimónia que o mesmo rege, deixando de parte o acaso, que amiúde é inimigo de quem participa no cerimonial, por estar exposto a perder o sentido do que fazer, quando se dá largas à sua imaginação. Desta forma, tudo foi devidamente pensado, de modo a poder dar resposta a todas as questões que se poderiam colocar durante o cerimonial.

Ora, como somos Maçons e esta pretende ser uma Prancha de cariz maçónico, importa aqui relembrar os Meus Queridos Irmãos da distinção entre Rito e Ritual, agora em definição: O Ritual[2] surge-nos como um Manual que contém os rituais e as lendas de cada grau, com que cada Loja trabalha, que se expressa num conjunto de actos e práticas próprias destinadas a cerimónias maçónicas, enquanto que o Rito[3] é um conjunto de graus maçónicos, formando um todo coerente para designar um Rito Particular da Maçonaria, ou seja, um conjunto de rituais, um por cada grau ou cerimónia específica dentro do Rito.

Assim, um Rito é um conjunto de Rituais. Acho que não subsistem quaisquer dúvidas quanto a estes conceitos.

Voltando ao início, temos como Ordinário, tudo o que está dentro da ordem natural das coisas, normal, costumeiro, habitual, comum, que não se distingue dos demais, que não apresenta particularidade notável, e Extraordinário, tudo o que não é conforme ao ordinário ou ao costume, que acontece raras vezes, excepcional, raro, estupendo e em última análise, sublime.

O Ritual, pela selecção que é feita do que, de entre o que é normal, pela sua excelência passa a ser supra normal, vai ao nosso léxico buscar uma selecção de palavras que todas elas estão acessíveis a todos nós, (quanto mais não seja nos dicionários, por nãos as utilizarmos diariamente), e agrupa-as por forma a transmitir uma mensagem extraordinária através da utilização de palavras ordinárias, no sentido de normais. A mesma analogia poderemos estabelecer para acções, por reunirmos um conjunto de acções com significado mais profundo do que o do próprio momento vivido enquanto as mesmas acontecem, agarramos em algo comum e transformamos em extraordinário.

Meus Muito Queridos Irmãos, a Sessão Maçónica decorre a coberto de profanos e é mais que o conjunto dos Irmãos presentes na mesma, é mais, muito mais do que a simbologia inerente ao grau em que se trabalha em sessão. A sessão decorre num outro tempo que não o tempo em que estávamos antes do início dos trabalhos e num outro espaço, que não o espaço físico onde poderemos encontrar o edifício do templo. Algo de muito importante se processa durante a sessão, conduzida milimetricamente pelas Luzes da Loja, com o Ritual: Existe a mágica transformação, por força da combinação de todas as energias dos Irmãos, do Profano em Sagrado.

Assim, Meus Muito Queridos Irmãos, permitam-me concluir afirmando que o Ritual transmuta o que é Profano em Sagrado.

[1] Arthur Edward Powell- A Magia da Franco-Maçonaria

[2] Dicionário de Termos Maçónicos, Pedro Manuel Pereira, Editora Sete Caminhos

[3] Dicionário de Termos Maçónicos, Pedro Manuel Pereira, Editora Sete Caminhos

Herança Espiritual

Temo afastar-me dos conteúdos maçónicos ao revelar-lhes esta Prancha, pois ultimamente o profano em mim grita tão alto que me faz esquecer quem sou; durante uma crise, é este o dano colateral mais temido, pois há uma linha muito ténue entre o que somos e o que julgamos ser, como temos constatado ultimamente.

Vi-me exposto, sem proteção, a uma tempestade de granizo; e estremeço ao imaginar as consequências que terá nos campos que me rodeiam, em vias de florir…

Não me protegi por não ter trancas na minha porta do Ser. Enquanto Maçon e da maneira como compreendo a Maçonaria, não pode haver barreiras físicas para nos protegermos de algo, que à partida, não seria necessário proteger.

Se o fizesse seria aí que me trairia, que me ‘profanizava’ em território sagrado. Por vocação, por juramento de fraternidade, é-me impossível imaginar intempéries desta natureza. E se elas acontecem, e sabemos que assim é, só me resta a serenidade para resolver o problema, não contrariando desígnios que possivelmente não alcanço, e sabendo que não podemos precaver-nos perante o inesperado, pois isso contrariaria a forma de vivermos em liberdade: o calculismo faz parte do livre arbítrio, mas não o condiciona; é um pouco como o Amor: se fosse pela razão que escolhêssemos quem amar, morreríamos sem conhecer a tal ‘chama que arde sem se ver’

Nunca estaremos verdadeiramente a salvo desses momentos, pois nada é imutável.

As formas de lidar com problemas no seio da nossa organização estão testadas e foram lavradas ao abrigo dos usos e costumes que nos regem.    As constituições que nos guiam enquanto membros de uma obediência maçónica, estão implícitas nos nossos juramentos ritualísticos e escritas, não agora, mas há vários séculos.

Utilizar tácticas profanas em terreno sagrado deu no que deu.

Estas tempestades sem aviso são as que mais custam ultrapassar; confesso que há dois anos e enquanto obreiro da GLUP, tive uma epifania;  cheguei a sentir-me assim como a Julie Andrews portuguesa, em versão masculina e com avental de Mestre, extrapolando para um delírio maçónico a canção por ela cantada no filme ‘Música no coração’ quando, numa harmonia perfeita com a imagem, exalta que ‘as montanhas estão vivas com o som da música’; era a maçonaria da nossa obediência que nos fazia sentir vivos.

“Shit happens!”, como dizem os americanos no seu pragmatismo popular; e como estamos entre homens, nem mesmo algo tão sublime como a Iniciação nos refreou de desmentir o provérbio popular que nos considera, por sermos irmãos, piores que inimigos…

Temo, sobretudo, que com a saraiva cega e destruidora, muitos rebentos nascidos no nosso jardim, muitas promessas de beleza, sejam decepados pela cegueira da força da intempérie, inviabilizando a exaltação à verdadeira sabedoria que uma flor transmite.

A idade, e talvez por isso também a bexiga, encurralada pela hipertrofiada próstata, não me deixa dormir muitas horas seguidas; desperto para aliviar as necessidades fisiológicas e, uma vez regressado à cama, permaneço em vigília, desfiando angustias; só o espreitar da aurora, anunciada com os cantos dispersos das aves canoras, me apazigua.

Mas até lá sou assolado por um assombro desencantado, filho da insónia e onde, ao longe, ainda sinto o rugir de trovões, sinal persistente da tempestade cavalgando as serranias do optimismo onde a música se extinguiu.

Durante esse período e quando a leitura em excesso já se reflete no ardor que sinto nos olhos, evoco exercícios mentais aprendidos em leituras de auto-ajuda e outros, normalmente mais eficazes, em instrução de Ioga.

Volto a atenção para o corpo, para a respiração. Medito para entrar dentro de mim. Faço-o pelo local que se me oferece mais convidativo, mais luminoso, ou seja, o 7º chakra, o da fronte, entre as sobrancelhas, destino final das minhas deambulações por outros pontos; aí chegado, concentro a consciência no Agora e faço por sentir o pulsar da vida, o leve arquejar do peito acompanhando o ritmo suave da inspiração e da expiração.

E então, numa espécie de filme interior revelado no Chidakasha budista, o nome atribuído ao écran negro onde se projectam os sonhos, algumas imagens familiares começam a revelar-se.

A primeira coisa que identifico, talvez por ser responsável pela sua concepção, é a abóbada celeste do Templo Pátria, sede da GLUP.

Mas não é o tecto propriamente dito aquilo que vejo, mas sim a representação estelar que representa; a minha visão, neste estado hipnagógico em que me encontro, tem profundidade de campo. Todas as estrelas e esquemas geométricos lá representados tomam uma perspectiva realista, tridimensional e familiar para um observador no nosso planeta.

Como tenho sempre presente que ‘o que está em cima é como o que está em baixo’, volto os olhos, sem os abrir, na direcção virtual aprendida nas cartas astronómicas vindas da trigonometria esférica.

Sou guiado na procura do reflexo na Terra deste universo espiritual, o seu correspondente cá em baixo. Encontro-o suspenso sobre os ladrilhos bicolores onde sobressai o altar dos juramentos; aliviado, confirmo que tudo é Universo, tudo é Templo.

Holograficamente, três filas de imagens desfilam paralelamente entre si, na vertical, à minha frente, fazendo-me lembrar as ‘slot-machines’; quando o movimento abranda, intuo que neste ‘jogo da vida’ o GADU, na sua infinita sabedoria, recorre a eufemismos profanos para me fazer ver o essencial.

Vejo então três imagens distintas, lado a lado; nos casinos isto significa que tenho que voltar a alimentar a máquina com uma nova moeda, pois sem emparelhamento não há prémio e quem joga quer ganhar…

À falta de trocos respondo franzindo o sobrolho duma forma violenta, num misto de perplexidade e concentração pelo inesperado da visão que agora vos revelo.

Distingo então, naquela que é a representação que se encontra à minha esquerda, a carta nº 9 do Tarot e que representa o Eremita.

Considerando haver uma razão de ser para ter ‘recebido’ esta informação, relembro aquilo que sei sobre algumas matérias que me podem levar a descodificar esta imagem:

Em todas as antigas escolas de mistérios que remontam a Zarathustra e ao séc. VII a.C., o nove representa o conceito gnóstico da máxima perfeição: (sem comentários…)

O desenho deste número tem uma forma embrionária e remete-nos ao período de gestação do ovo dentro do útero feminino, uma Santíssima Trindade elevada à potência de três…

O conhecimento codificado nestas cartas de tarot criadas, segundo se pensa, por Hermes Trismegisto, é baseado na cabala, uma sabedoria universal milenar que nos ensina os princípios espirituais que regem a vida.

A palavra “Cabala” vem do aramaico e significa receber.

Ensina-nos sobretudo a receber energia na vida, através do viver em harmonia com as leis e princípios do Universo; e defende que todos temos um potencial intrínseco que nos permite sonhar com a plenitude das nossas realizações; se compreendermos que a vida é regida por uma lei de causa e efeito, de ação e reação, percebemos que iremos colher amanhã os frutos das sementes que hoje plantamos.

Esta ideologia baseada no livre arbítrio, está consignada na maioria das sociedades pagãs e esotéricas vindas de tempos remotos à Idade Média, aparecendo inclusive, já no séc. XVIII, ligada ao grau 33 da Maçonaria especulativa!

Vejamos agora a próxima imagem: o rosto de Fernando Pessoa emoldurado por uma Vesica Piscis.

A Vesica é o resultado da intercepção de dois círculos idênticos, talvez a célula masculina e a feminina que nos conceberam; é assim nomeada por a sua forma lembrar, entre outras, a da bexiga dos peixes; pelo mesmo motivo, chamam-lhe os italianos de Mandorla, amêndoa; eu vejo nela simbolismo vaginal, um portal entre dois mundos: o uterino, sagrado, e o profano, para onde se nasce.

Sabemos que a Vesica corresponde, na simbólica pitagórica dos antigos mestres-construtores, ao “espaço de manifestação” ou incarnação do divino no mundo dos homens, como bem constatou Lima de Freitas.

Olhando melhor para o rosto de Fernando Pessoa que flutua à minha frente, noto que o fundo onde se revela é feito de palavras, um pouco à semelhança do bem conhecido auto retrato do Almada Negreiros, ou mesmo dum palimpsesto. Consigo ler:

“Para todos os que queiram mais da vida do que o que ela é em si mesma, a regra é aquela que, em um dos seus modos, os três graus maçónicos simbolizam. Entramos Aprendizes pelo sofrimento, passamos Companheiros pelo propósito, somos levantados Mestres pelo sacrifício. De outro modo se não chega, na arte como na vida, à Cadeira que é o Trono, de Salomão.”

 Finalmente, a última das representações, à minha direita:

Reconheço o selo real de D. Afonso Henriques como o encontramos no foral de Ceras, quando investiu Gualdim Pais do poder para erigir a igreja matriz dos templários e reconstruir a cidade de Thamara, hoje Tomar.

Em rodapé, leio uma frase de Nietzsche:

“O valor de um povo ou de um homem não se mede senão pelo poder que tem de apor sobre a sua experiência o selo do eterno, porque deste modo emancipa-se, por assim dizer, do mundo e mostra a sua fé inconsciente mas íntima na relatividade do tempo e na significação verdadeira, isto é, metafísica da vida.

 Pergunto-me de Tomar é o mais relevante nesta aparição, pois nunca compreendi as verdadeiras razões para ter sido este o local eleito para ‘sede’ do templarismo em Portugal; mas o que é certo é que este lugar, muito muito antes, já tinha atraído outros povos.

E depois, mesmo antes da edificação do que hoje é conhecido por Convento de Cristo, foi levada a cabo a construção da Igreja de Santa Maria do Olival. Sei que este local foi identificado teluricamente como zona energética de grande importância como atesta o menir que se encontra perto da nascente do Agroal, uma pedra de ‘acupunctura paleolítica’ onde consta que os templários gravaram a sua cruz.

Mas voltemos ao selo, que sei ser muito especial. A localização das letras de Portugal permite que também se possa ler Por – Tu – Gral.

O ó está na interseção da cruz feita com os meridianos do circulo, no centro da circunferência e, nesta representação tridimensional que me é dada a ver, tem uma cor azulada que se destaca das estrelas que compõem o Universo preto e prata do Templo.

E é de forma inesperada que noto, quando estou a olhar precisamente para este centro, que este pontinho azul não é um circulo como o da letra ó mas sim uma esfera, e que está a deslocar-se, saindo da sua posição relativa.

Esta cena é um déjà vu…concentro-me um pouco e aí está! Aquele ponto azul é a Terra como foi fotografada pela nave Voyager 1 quando se encontrava nas imediações de Saturno, no dia de S. Valentim de 1990. A pedido de Carl Sagan, a NASA autorizou que a câmara de bordo fosse virada na direção da Terra e o resultado ainda hoje nos toca: somos um pequeno pixel de azul pálido na imensidão do Universo!

Perdemos tempo com o supérfluo quando só nos devia interessar o essencial, é isso que me vem ao espirito. Como disse Carl Sagan:

Não há melhor demonstração da tola presunção humana do que esta imagem distante do nosso pequeno mundo.

 Nela destaca-se a nossa responsabilidade de sermos mais amáveis uns com os outros com vista a preservar e proteger o ‘pálido ponto azul’, o único lar que conhecemos até hoje’.

Depois disto adormeci profundamente e quando acordei tinha sonhado que era noite de Santo António; estava no Templo, em sessão de Loja convosco; desta vez voltei a adormecer… em paz.

LVB, MM e VM da RL Phi nº 9, no Templo Pátria, a Oriente de Lisboa, 13/06/2018

Hino Nacional

Heróis do mar

O que são herdeiros da cavalaria dos mares, os Descobridores que trouxeram mundos ao Mundo. Os que são heróis por irem além dos seus medos ao serviço de algo maior que eles e os que cavalgam sobre as águas das paixões emocionais, utilizando-as e aprimorando-as para navegarem pela vida sem se deixarem submergir por elas

Nobre povo

Os que são irmãos, reconhecendo-se como lusitanos ou “povo da luz” (do celta, “ a tribo de Lug”, o deus celta da Luz). Noutro sentido, os que partilham a nobreza de se saberem e reconhecerem como filhos do divino, povo do reino do espírito, enobrecido em valores de amor, verdade, justiça. Neste sentido, o povo da humanidade espiritualizada é transversal a raças, credos, tempos e lugares

Nação valente

Uma nação é, geralmente, um povo estável, associado a uma língua, tempo e lugar igualmente estável. É assim para o povo português. Noutro sentido, porém, há uma nação humana que habita a terra da Alma e partilha a linguagem dos pássaros, que é a linguagem da intuição pura desse lugar que é também um estado de consciência onde todos ganhamos asas de sabedoria e os corações comunicam com os corações

Imortal

A imortalidade pode ser a dos que “por obras valerosas se vão da lei da morte libertando”, como disse Camões. Contudo as obras valerosas, mais do que feitos que ficam na memória dos homens para a posteridade, podem ser as da construção do grande Templo humano e desta Humanidade que um dia perceberá que é parte de um Cosmos vivo. A imortalidade desta nação é igualmente a característica daquele domínio em que todos fazem parte consciente da Alma global, que vive para sempre…

Levantai hoje de novo

Erguer, construir, aqui e agora no presente (“hoje”) e de forma criativa (“de novo”) algo que vale a pena. O que vale a pena?

O esplendor de Portugal

“Esplendor” remete-nos para expansão e afirmação de luz. Isto pode trazer-nos a ideia de reafirmar o valor do nosso país, Portugal, na comunidade internacional. No entanto pode igualmente remeter-nos para a ideia de que devemos fazer resplandecer Portus Graal – uma das interpretações para o nome do nosso país. E o que é resplandecer o Porto do Graal? O Graal veicula o princípio crístico – o sangue ou a energia de Cristo, na tradição. Neste sentido, o esplendor de Portugal é a luz do princípio crístico, de que a nossa pátria foi, aliás, guardiã quando os Cavaleiros Templários, guardiões do Templo físico de Jerusalém mas também do templo neles mesmos, se tornaram cavaleiros da Ordem de Cristo.

Entre as brumas da memória

As brumas da memória são os ecos perdidos do conhecimento superior de que, como fez notar Platão, todos temos reminiscências. Fazem-nos pressentir dias melhores, mundos celestes de maior grandeza e perfeição. Acordam em nós, por entre o mundo nebuloso da nossa mente transviada em florestas de desejos pequeninos e águas emocionais brumosas, memórias dos feitos dos que foram mais além.

Ó Pátria, sente-se a voz dos teus egrégios avós

Os nossos egrégios avós são os antepassados que evidenciaram a Humanidade no seu melhor. Habitam na Pátria maior onde partilham o fogo do Espírito e o vento da inspiração, a Pátria celeste ou a Sião de que falava Camões. A sua voz é o som da cristalina voz interior silenciosa, a vibração da consciência ligada ao Alto e que nos inspira a ir além, pressentindo o Futuro de que temos saudades, o reino arquetípico onde imperam o Amor e a Harmonia.

Que há-de levar-te à vitória

A vitória, mais do que o triunfo mundano pelas armas físicas, significa a auto-superação ao serviço de valores superiores, que nos transcendem e merecem o nosso sacrifício (de sacri + facere, “tornar sagrado”). A nossa vitória sobre as nossas limitações egocêntricas representa a vitória de toda a Humanidade.

Às armas, às armas

As nossas melhores armas são os nosso maiores talentos, aqueles que podemos e devemos mobilizar e utilizar voluntariosamente no Serviço do GADU e da Humanidade que Ele tem acarinhado. Recorrer a elas é o dever de todos os que lutam pela Civilização caracterizada pela Liberdade, Igualdade e Fraternidade.

Sobre a terra, sobre o mar

Aqueles que dominam a sua densa natureza corpórea humana – a terra – e a sua natureza aquosa emocional – o mar – apoiam-se nas energias delas, devidamente disciplinadas, para as utilizarem no serviço divino. Mais do que tudo, tornam-se realmente “heróis do mar” pois avançam sobre ele – acima das paixões humanas.

Às armas, às armas

Uma segunda mobilização das armas pode representar agora a mobilização dos nossos talentos superiores, os da Alma em nós, que implicam o desenvolvimento da intuição, da vontade e do discernimento espirituais, da capacidade de manejar de modo mágico e criativo as energias da mente pacificada. Nesse momento, o ser humano aperfeiçoado pode dedicar o uso das suas mais elevadas capacidades e qualidade. Ao serviço do quê?

Pela Pátria lutar

Lutar por qual Pátria? Acima ainda da Pátria humana, a Pátria divina onde habitam os nossos “egrégios avós”. Ela merece o nosso melhor esforço (a luta) e o uso das nossas melhores armas, que são os talentos criativos como a vontade indomável que se alinha com o propósito divino ou a mente focalizada, e as qualidades cultivadas como o amor maior e sem limites (Àgape) ou o sentido da beleza e da harmonia que nos ajudam a pressentir o divino e, pressentindo-o, a servi-lo.

Disse, VM

VR

Palimpsestos Maçónicos

Os palimpsestos são suportes em papiro ou pergaminho reutilizados para a escrita depois de já terem sido utilizados para esse fim.

Ou seja, em vez de se destruir um documento porque aquilo que ele revela já não interessa, apaga-se o original o melhor que se pode e volta-se a ter um suporte para nele inscrevermos as novas ideias: reciclagem “avant la lettre” …

Mas apagar eficientemente escritos ou lá o que seja em papiro ou pergaminho, é uma tarefa complicada e raras vezes bem-sucedida. Chegava-se mesmo a utilizar pedra pomes para, com o seu poder esfoliante, conseguirem-se resultados satisfatórios para que a nova inscrição fosse legível.

Isso foi conseguido algumas, mas raramente o que estava por baixo desapareceu completamente: deparamo-nos com uma espécie de ‘dois em um’ onde, muitas vezes, o original é mais surpreendente do que o novo.

Acontece isso com o denominado ‘Palimpsesto de Arquimedes’, pois sobre os escritos feitos por este cientista de Siracusa, encontram-se hoje orações e salmos de um convento, completamente irrelevantes.

Portanto, podemos ler hoje, sob o que os frades escreveram, temas tão importantes como: ‘O equilíbrio dos planos’, ‘Espirais’, ‘A medida de um circulo’ e, entre outras, quiçá a mais importante de todas, a obra sobre ‘‘O método dos teoremas mecânicos”, visto ser a única cópia conhecida de Arquimedes sobre o tema.

Acho que a GLUP é um Palimpsesto Maçónico, porque sendo a nossa obediência uma obediência recente, ela ‘inspira-se’, se me é permitido o termo, nos princípios e landmarks que nos precederam, nos antigos textos e constituições nos quais nos revimos e que estão escritos, indelevelmente, sob a nossa Constituição; e é sempre conveniente não perder de vista o texto original para dele não nos afastarmos.

Assim sendo, considero o palimpsesto como a metáfora ideal para não descurarmos o que está por baixo daquilo que somos, funcionando como uma cábula sempre à mão, mesmo debaixo do nosso nariz, literalmente, para não cometermos irregularidades que se afastam da Iniciação.

Sabemos que sempre que vários Homens fazem parte de um determinado projecto, há divergências, é inevitável e está na nossa natureza, na eterna procura pela homeostasia; se os intervenientes forem Maçons e se perceberem o significado do que é ser Maçon, essas divergências podem ser construtivas, benéficas ou, até mesmo, desejáveis.

Mas se uma das partes tiver comportamentos profanos na resolução de matérias sagradas, chegamos a situações muito melindrosas, direi mesmo perigosas para o futuro da nossa e de qualquer futura obediência.

Compete-nos a todos nós, e neste momento ao vosso VM em particular, fazer destes assuntos uma aprendizagem. Para alguns pode mesmo ser tão difícil trabalhar esta adversidade que preferem afastar-se, adormecer dizemos nós, até que as coisas se endireitem; não defendo essa opção, pois em tudo na vida há uma lição a tirar e convém estarmos acordados, e bem, para disso nos apercebermos.

E a ‘zona de conforto’(?) que todos buscam(?), ou de onde não querem sair, pode  tornar-se bafienta, letárgica ou mesmo uma antecâmara da morte.

Compreendo que as expectativas possam estar defraudadas, mas não adianta desistir.

Só utilizando o lodo para ir mais fundo nos alicerces da construção do Templo é que se chega a um terreno com mais garantias para aguentar os pisos a edificar, leia-se graus simbólicos.

Se reconhecermos que desceu sobre nós a mais profunda e a mais mortal das secas dos séculos – a do conhecimento íntimo da vacuidade de todos os esforços e da vaidade de todos os propósitos, tudo é mais compreensível. Esta frase é de Pessoa e também é dele a que denuncia que nós nunca nos realizamos. Somos dois abismos – um poço fitando o céu.

Todas as pranchas, e esta não é excepção, são escritas num palimpsesto; cada gesto, cada palavra, cada frase evolui num campo outrora preenchido por um antigo gesto, uma palavra arcaica que construiu uma frase sagrada.

Ao ler o que aqui escrevi, revela-se-me um outro texto, quiçá também ele escrito sobre outro ainda mais provecto e que, por desígnios que não alcanço, guia a minha atenção para o seu conteúdo subliminar.

“A ordem só pode surgir do caos. A Maçonaria procura aceder a uma fase superior de civilização e de cultura; é a ascensão de uma nova ordem dos deuses depois do terrível e fecundo caos; é o aparecimento de uma nova construção cósmica onde habita o tema eterno da queda do Homem precedendo a sua ressurreição.

Morte e transfiguração! O mito de Orfeu liga-se à lenda da Fénix. E Hiram inscreve-se nesta linhagem iniciadora.

A ascese maçónica tende para o aperfeiçoamento moral e espiritual do indivíduo e este equilíbrio condu-lo a procurara a harmonia Universal.

 Na época da era do Aquário (…/…), compete a cada um saber o que é, o que deve realizar, pois a ordem maçónica não aceita qualquer compromisso; está para além do Tempo, para além das paixões.”

Descubro, graças ao palimpsesto conter partes que consigo identificar, que o seu autor foi Jean-Pierre Bayard, e que o revelou em 1986.

Este nosso Irmão foi iniciado na Grande Loja de França em 1954, ano em que eu nasci, e também descobri que ambos somos aquarianos. A sua sabedoria era enorme (aí divergimos…), pois foi recebido grau 33 do REAA e portanto sinto um privilégio enorme de lavrar o meu texto sobre o dele…

Mas há mais! Jacob Böhme, um sapateiro alemão nascido em 1575, também aparece sob a letra do Jean-Pierre e é dele a seguinte frase:

“No Nada, fora da natureza, Deus é um mistério, porque fora da natureza é o Nada; ou seja, um olho da eternidade, um olho insondável que nada é, nem nada vê, porque não tem fundo, e este mesmo olho é uma vontade, entendam: representa uma nostalgia da revelação, uma nostalgia de encontrar o Nada.”

 Este olho figura no delta luminoso por cima de nós e dá-nos esse poder de liberdade, a liberdade primordial do insondável, do sem nome e sem forma tocando directamente no mistério do Ser!

Remato com o desejo de que se o simbolismo for compreendido como uma linguagem universal, a Luz trespassará as trevas e o Grande Conhecimento a que os budistas chamam Despertar, os hinduísmos Libertação e os Maçons Oriente Eterno, ser-nos-á mais cedo ou mais tarde desvendado.

Não desistamos, MMQQII, há sempre uma Palingenesia (*)!

A última frase do meu palimpsesto é de Fernando Pessoa:

Vivemos todos, neste mundo, a bordo de um navio saído de um porto que desconhecemos para um porto que ignoramos; devemos ter, uns para os outros, uma amabilidade de viagem.

Templo Pátria, 9 de maio de 6018, LVB, VM da RL Phi nº9

*Palingenesia. Etimologicamente, renascimento, regeneração. O termo foi empregado em contextos diferentes. Por exemplo, no estoicismo de Marco Aurélio, designa a eternidade cíclica no decorrer da qual reaparecem periodicamente os mesmos eventos. Na época moderna, o termo significa seja a regeneração cíclica dos seres vivos, segundo certos autores, seja o ritmo cíclico que caracterizaria o devir histórico das civilizações.

A palavra palin significa “novamente”, “outra vez”, “de volta”. Palingenesia é o suposto regresso à vida, depois da morte real ou aparente. (a palingenesia – não é apenas reencarnação –, pois não se aplica somente à vida orgânica).

Phi-cheiros Secretos

O motivo original da Arte é o sagrado – ser um portal, um ponto de acesso ao sagrado. Quando a vemos ou experienciamos, experienciamo-nos a nós próprios.

Na verdadeira Arte, o que não tem forma brilha através da forma.

Em última análise, não é propósito de todos criar obras de arte: é muito mais importante que nos tornemos uma obra de arte.

Que toda a nossa vida, todo o nosso ser, se torne transparente de maneira que o que não tem forma possa brilhar. E isso acontece quando deixarmos de nos identificar com o mundo da forma, quando temos acesso ao reino do silêncio interior.

Então há algo que emana da forma mas não é a forma.

É por esse motivo que muitos de nós se consideram eternos Aprendizes porque estamos entregues ao silêncio…

LVB, sessão de 9/5/6018

Diálogos sobre Maçonaria

A Grande Loja Unida de Portugal e os VV:.MM:. das RR:.LL:. que a compõem, convidam todos os Ob:. da G:.L:.U:.P:., nomeadamente os Aprendizes e Companheiros, para participarem na iniciativa “Diálogos sobre Maçonaria”.

  • Data: 21 de junho 6018 – 19:00 até às 21:00
  • Morada: Palácio Pátria – Rua do Grilo 44
  • Orador: RI:. Fernando Casqueira
  • Destinatários: A todos os Obreiros, contudo a Formação estará mais direcionada para Aprendizes e Companheiros